Como serão os gastos das famílias no Natal, neste ano, em Erechim, na data mais importante do comércio? Mais ou menos que o anterior? O ano de 2021 está se encerrando em meio à crise sanitária, econômica, alta nos preços, com reflexo direto no poder de compra do cidadão. No entanto, o avanço da vacinação em Erechim, que já tem cerca de 80% da população imunizada, serve de estímulo para se reunir novamente e assim presentear a família e celebrar o Natal. Mas segundo alguns erechinenses, ouvidos pelo jornal Bom Dia, a realidade de cada um varia muito, tem quem irá aumentar os gastos, mas também passar sem presente, em branco.
Copeira
Conforme Marizélia de Oliveira, que trabalha na copa e cozinha do Hospital Santa Terezinha em Erechim, ela vai aumentar o valor das compras neste ano para mais que o dobro do que foi gasto na data anterior ficando em torno de R$ 500. Ela explica que os valores se justificam porque no ano passado os familiares não puderam se reunir. “Esse ano está um pouco mais tranquilo, a gente vai poder visitar um afilhado, reunir a família e consequentemente gastar um pouco mais”, explica. Ela acrescenta que os presentes serão somente para as crianças e que o objetivo neste ano é ficar juntos, reunir a família.
Monitora
A monitora escolar, Laudete Salini vai gastar bem menos neste Natal se comparado com o ano passado. Ela já comprou os presentes para os familiares e gastou pouco mais de R$ 200. “Bem menos do que gastei em 2020”, afirma.
Pensionista
Segundo a pensionista, Carma Matos de Souza, neste ano não vai comprar presente. “Todo ano eu dou um presentinho para os seis netos, mas neste não vai dar. Eu passei covid, gastei muito com remédios e exames de saúde, então não vou conseguir”, disse. Ela acrescenta que neste ano vai ser diferente, mas a família vai se reunir mesmo assim para fazer a ceia e celebrar o Natal, mas sem presentes. “Que Deus abençoe e um feliz Natal pra todo mundo”, comenta.
Atendente
O atendente, Natan Martins, 21, ainda está projetando se vai gastar com presentes de Natal. “Se for será dentro das minhas possibilidades, que fica entre R$ 50 e R$ 100, um presente para o meu sobrinho e meu pai”, afirma. Ele comenta que no Natal passado gastou mais ou menos os mesmos valores.
Gestão
Conforme a Charlene Monteiro, 23 anos, que trabalha com gerenciamento de risco, ela pretende comprar presentes para os familiares, namorado, afilhado, e estima gastar em torno de R$ 500. No ano passado, ela gastou menos que o valor que pretende investir neste Natal. “Eu gastei menos porque os preços dos presentes estavam com valores mais em conta. Tudo subiu muito”, explica.
Para Charlene, os preços aumentaram muito de um ano para cá. “Um absurdo. Qualquer coisa que se for comprar hoje em dia está muito mais caro. Tudo aumenta menos o salário do trabalhador. Com salário mínimo fica difícil dar o giro, e fazer alguma coisa. Mal dá para pagar aluguel, luz e água. Eu consigo comprar porque moro com meus pais, então tenho esse apoio. Eu ajudo em casa, mas ainda sobra um troquinho”, comenta. Ela ressalta que não vai se endividar para comprar os presentes, já que tem dinheiro guardado para comprar os presentes.
Empresário
O comerciante, Emadi Hamad, que trabalha há 24 anos no varejo, e tem sete funcionários, afirma que este não será um Natal de boas vendas, ele estima que vai vender 20% a menos que o ano anterior. “Ano passado tinha o auxílio emergencial que ajudou o comércio”, afirma. E, questiona, “um botijão de gás está R$ 115 e o pessoal vai deixar de comprar gás para comprar roupa, com certeza não, infelizmente vai ser isso”.
Ele espera que a sua avaliação não aconteça, mas devido a experiência essa será a realidade, menos vendas. “O Brasil está com problemas, as coisas subiram muito, e o povo vai receber, mas não vai deixar de comer. A prioridade será com alimentação”, observa.
Emadi afirma que as empresas perderam muito faturamento em função da pandemia, e a única ação do governo foi prorrogar o pagamento dos impostos. “Paguei o Simples ontem, então, o governo não fez nada pra nós”, afirma. Para ele o governo deveria ter perdoado, não cobrado esse imposto no período da pandemia.
CDL Erechim
Conforme a presidente da CDL Erechim, Rosângela Spiazzi Truylia, a projeção é que a quantidade de presentes e os valores gastos pelos erechinenses aumentem neste Natal.