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Economia

“A primeira vítima da inflação descontrolada é o cidadão”

Afirma o especialista em finanças e economia, Daniel Biolo, que ressalta que ela representa aumento do custo de vida e a consequente redução no poder de compra da moeda

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“Seu poder de compra é reduzido se o salário não acompanha os índices de alta dos preços, e ele empo
Inflação dos últimos anos
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Sabe aquela sensação de ir no mercado e o dinheiro não ter valor, como se estivesse sumindo da carteira mesmo com poucas compras, e por mais que se faça economia, elas ficam sempre menores no carrinho e cada vez mais apertadas no orçamento familiar. Saiba que isso não é um sentimento, mas um fenômeno real que envolve o aumento de preços de bens e serviços, a chamada inflação. A seguir, o especialista em finanças e economia, Daniel Biolo, explica mais sobre ela e como impacta no dia a dia das famílias.

Bom Dia: O que é a inflação?

Daniel Biolo: inflação é um termo da economia usado para designar o aumento generalizado de preços de bens e serviços. Com isso, a inflação representa o aumento do custo de vida e a consequente redução no poder de compra da moeda.

 

Como ela impacta no poder aquisitivo das famílias?

O crescimento descontrolado da inflação tem impactos consideráveis sobre toda a economia de um país. O Brasil viu os efeitos deletérios da hiperinflação ao fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990, que empobreceu a população e quebrou empresas.

A primeira vítima da inflação descontrolada é o cidadão. Seu poder de compra é reduzido se o salário não acompanha os índices de alta dos preços, e ele empobrece. Em seguida, essa redução do consumo por conta do empobrecimento das pessoas afeta as empresas, que vendem menos, porque o número de pessoas capazes de consumir diminui. A próxima etapa da espiral negativa da inflação é a redução dos investimentos no setor produtivo, que reduz os empregos e a renda da população.

 

Quais os principais fatores que geram inflação no País?

Podemos dizer que a inflação é causada por três fatores principais:

- Inflação monetária: emissão de dinheiro fora do controle por parte do governo. Este é o conceito correto de inflação.

- Inflação de demanda: demanda por produtos (aumento do consumo) maior do que a capacidade de produção do país. A inflação de demanda é normalmente causada pela inflação monetária. Interessante dizer que conceitualmente, não é considerada “inflação” e sim aumento de preços.

- Inflação de custos: aumento nos custos produtivos ou custos de produção (maquinário, matéria-prima, mão de obra) dos produtos. Também é causada pela primeira e, assim, como no exemplo anterior, conceitualmente não é “inflação” e sim aumento de preços.

 

O que é o IPCA e IGP e como eles funcionam?

O IGP (Índice Geral de Preços), que é medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem outro objetivo muito específico: serve para registrar a alta dos preços que vão desde a matéria-prima usada em produção agrícola e industrial, até elas virarem bens e serviços, a serem adquiridos pelos consumidores finais. O IGP foi criado no final da década de 1940 e não foca no consumidor, mas no atacado e varejo.

Para calcular o valor desse índice, é necessário fazer a média entre três outros índices existentes: 60% do valor do IGP é composto pelo IPA, o Índice de Preços no Atacado; outros 30% são compostos pelo INPC; e os outros 10% do IGP são compostos pelo INCC, o Índice Nacional de Custos da Construção. O IGP dá origem a outros índices, como o IGP-DI, o IGP-10 e o IGP-M. O IGP-DI, Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna, assim como o IPCA, é medido o mês todo e é a parte da cesta responsável pela correção dos preços de telefonia.

O IPCA é um índice que mede a variação de preços de mercado para o consumidor final. Estabelecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mensalmente, ele representa o índice oficial da inflação no Brasil. É um bom termômetro para avaliar perdas no poder de compra.

Calculado desde 1979, então, o IPCA identifica uma variação nos preços do comércio. Ele é utilizado pelo Banco Central para monitorar a inflação.

O Índice é calculado mês a mês, através de uma pesquisa de preços levantada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela é realizada em estabelecimentos comerciais, domicílios, com prestadores de serviços e concessionárias de serviços públicos. O período de coleta do IPCA ocorre entre o 1º e o 30º (ou 31º) dia de cada mês. O objetivo é identificar, por meio do levantamento, os preços cobrados efetivamente ao consumidor, em pagamentos à vista.

 

Em quanto fechou a inflação em 2021?

A inflação em 2021 fechou em 10,06%.

 

Qual é a relação entre a taxa Selic e a inflação?

É importante entender a relação entre a taxa Selic e a inflação. Isso porque ambas estão ligadas à economia do país e ao consumo e uma das funções da taxa básica de juros é ajudar a manter a inflação equilibrada.

A taxa Selic normalmente faz isso ao controlar os juros fornecidos ao mercado. Assim, sempre que ela oscila, os empréstimos bancários ficam mais caros ou mais baratos. Nesse sentido, o consumo poderá ser estimulado ou desestimulado com base no custo de crédito.

A inflação não pode ser estabelecida por um órgão, sendo resultado de uma variação contínua e generalizada dos preços de produtos e serviços. Com preços mais caros, o mercado fica desaquecido e o consumo reduz acontecendo o oposto quando os preços diminuem.

Desse modo, a manipulação da taxa Selic é uma das formas que o governo tem disponível dentro da política monetária para controlar a inflação. Por exemplo, quando o IPCA está alto, o Copom tende a aumentar a Selic. Assim, o crédito fica mais caro e o consumo diminui, reduzindo a inflação.

Já em um momento que o governo queira estimular o consumo, o Copom reduz a Selic. Com isso, o crédito fica mais acessível e a tendência é as famílias consumirem mais.

Principais instrumentos para conter inflação?

O principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter a alta dos preços é a taxa básica de juros, a Selic, definida com base no sistema de metas de inflação. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic, e quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, reduz a Selic.

A instituição também pode atuar no mercado de câmbio, vendendo dólares nos mercados à vista e futuro para impedir uma contaminação dos preços pela alta da moeda. Entretanto, o BC tem informado que as atuações no mercado de câmbio visam somente corrigir distorções e prover liquidez, não tendo como objetivo oficial conter a inflação.

A inflação é sempre ruim?

Não. A inflação, quando controlada, é um sinal de que a economia está aquecida e crescendo de forma saudável: por isso é preciso ter inflação – e isso vale para todos os países.

O Brasil, inclusive, tem uma meta anual de inflação para dar segurança para a economia. Essa é uma forma de garantir que a economia brasileira continue em crescimento e os preços, controlados. A inflação é ruim para a economia de um país quando não é controlada e quando atinge níveis muito altos, situação chamada de hiperinflação. Aí sim, ela é (e muito) prejudicial.

Quais as projeções para 2022?

O mercado financeiro passou a prever que a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficará acima de 5% em 2022, o que, caso se confirme, representará o estouro da meta pelo segundo ano consecutivo.

A informação consta do relatório "Focus", divulgado na segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC). As projeções foram colhidas na semana passada com mais de 100 instituições financeiras.

A meta central de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,5% e será considerada formalmente cumprida se ficar entre 2% e 5%. O mercado financeiro, porém, já projeta 5,02%.

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