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Rural

Safra do milho registra R$ 600 milhões de perdas no Alto Uruguai

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Região enfrentou uma das maiores estiagens da história e os impactos afetam várias áreas do setor pr
Por Izabel Seehaber
Foto Lídio Cuff/ Especial BD

Até esse momento foi colhido mais de 75% do milho grão e 95% do milho silagem no Alto Uruguai. O cenário, contudo, preocupa muito os produtores e especialistas na área, tendo em vista o baixo resultado em produtividade e, por consequência, os prejuízos financeiros.

A situação é reflexo da estiagem que afetou diversas áreas, especialmente do Sul do País.

O verão marcado por dias de calor intenso com precipitação abaixo da média histórica, se tornou um componente para contas difíceis de serem feitas no campo.

O engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional (ATR) da Emater, Luiz Angelo Poletto, explica que, ao todo, a área dedicada à cultura é de 48.700 hectares (grão) e 15.700 hectares (silagem). Por meio de um levantamento preliminar é possível afirmar que há uma perda de 60%. “Com isso, a estimativa que era de colher 155 sacos/hectare (sc/ha), chega a 62 sacos”, comenta.

Ao transformar isso em valores, o engenheiro agrônomo assinala que o esperado era produzir em torno de 7,3 milhões sacos de milho, contudo, haverá uma perda de 4 milhões que precisará ser adquirida para abastecer o mercado local. “Numa safra normal, já é comprado 1 milhão de sacos e, nesse ano, será necessário buscar 5 milhões, pelas empresas de integrados”, avalia, citando que o prejuízo pode alcançar R$ 400 milhões.

Silagem

Na silagem, a produtividade prevista era de 42 toneladas e está em torno de 18 a 20 toneladas. Com isso, as perdas financeiras podem ultrapassar R$ 160 milhões. “Outro fator preocupante é a qualidade da matéria-prima que torna a silagem muito ruim e será destinada para alimentação dos bovinos de corte e de leite. Desse modo, os reflexos se multiplicam e podem ser observados, ainda, na produção em outras áreas que têm o risco de serem reduzidas e com necessidade de adição de nutrientes para suprir a falta de qualidade. Isso tudo representa mais investimentos por parte do produtor”, explica Poletto.

Segundo ele, a região já sofreu com momentos de estiagens mais expressivos no passado mas que não geraram perdas como agora. “Acredito que foi uma das maiores da história, sendo que há publicações que sinalizam: é a maior da região Sul, pelas perdas financeiras e considerando os valores dos grãos no comparativos aos anos anteriores e os investimentos significativos realizados pelos produtores”, acrescenta.

Foco nas culturas de inverno

Mesmo diante de um momento desafiador, Poletto ressalta a orientação aos produtores para que continuem a preservar o solo e intensificar os preparativos para a safra de inverno, sendo que há uma expectativa de preços bons, principalmente na cultura do trigo. “Quem puder plantar cevada, por meio dos contratos, principalmente com empresas cervejeiras, é uma forma de tentar suprir as necessidades diante das perdas financeiras que houve com a soja e milho”, sugere o especialista da Emater.

Outra dica, pontua, é pesquisar sobre os insumos que nesses dias registram uma leve baixa e escolher o melhor momento de adquiri-los. “O ideal é fazer uma relação de produtos, comparar os preços e investir novamente acreditando que o cenário vai melhorar. Especialmente na nossa região, do Vale do Rio Uruguai, são três safras que registraram perdas nas lavouras. Está na hora de termos uma etapa cheia, principalmente no inverno e consequentemente no verão”, enfatiza Poletto.

Na soja os impactos superam, até o momento, R$ 1 bilhão.

 

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