O anúncio da Petrobras de aumento de 18,8% para gasolina e 24,9% do diesel no valor dos combustíveis para as refinarias começou a chegar nos postos de Erechim, nesta sexta-feira (11), conforme os caminhões das distribuidoras reabasteciam os tanques. A reportagem visitou 20 postos em diferentes pontos da maior cidade do Alto Uruguai e verificou que a média do preço da gasolina comum ficou em R$ 7,00 o menor valor encontrado foi de R$ 6,69 e o maior de R$ 7,41 o litro.
O último aumento
O último aumento tinha acontecido há 58 dias. Em nota a empresa estatal se limitou a dizer que “os valores refletem parte da elevação dos patamares internacionais de preços de petróleo, que foram impactados pela oferta limitada frente a demanda mundial por energia”.
Valor mais alto
O valor mais alto encontrado pela reportagem, foi de R$ 7,41 em um posto de combustíveis as margens da BR 153. Para não assustar os consumidores o local oferecia uma oferta de cadastro em que o litro sairia por R$ 7,19. Alternativas como essa tem sido as mais procuradas pelos consumidores na busca de economizar na hora de abate
Valor mais baixo
Já a gasolina mais barata foi encontrada em dois postos de uma rede já conhecida por vender gasolina mais barata na região central e no bairro Bela Vista. O valor era R$ 6,99 o litro. Conforme o levantamento dos 20 postos, apenas nove vendiam gasolina abaixo dos R$ 7,00.
Fila nos postos
Logo após o anúncio de que o aumento passaria a vigorar já a partir das 0h desta sexta-feira (11), motoristas fizeram filas nos postos para abastecer com o valor antigo. O taxista Cesar Rodolfo, 47 anos, enquanto aguardava na fila, escutava pelo rádio a notícia do aumento: “Com esse reajuste, cerca de 30% do nosso ganho vai ser reduzido, no mínimo”, explicou.
Causas do aumento
O advogado especialista em Direito Tributário, Valdecir Mosquetta, explica que o aumento ocorre devido a política da Petrobras estar ligada ao cenário internacional de preços que com a invasão da Ucrânia pela Rússia foi afetado, causando impactos em todo o mundo. “Essa situação está acontecendo em todos os países e o Brasil não passou imune. Acredito que com a instabilidade econômica que o governo vem enfrentando o impacto seja ainda maior, pois existe uma desvalorização do real somada ao aumento da inflação que chega a 10,25%, a maior em duas décadas, fatores que podem impactar diretamente na vida dos brasileiros, principalmente os mais pobres”, destacou.
Solução para baixar o valor
Mosquetta, lembra que o governo federal tem tentado criar subsídios para conter o preço dos combustíveis, sem afetar a Petrobras, mas ele alerta que isso pode tornar a situação ainda pior. “Tirar mais dinheiro do caixa é algo paliativo que pode provocar mais danos na economia. Acredito que precisamos mudanças na política economia e externa do país para se chegar a uma boa solução”, pontuou.
ACCIE vê com preocupação
O presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), Fábio Vendruscolo, vê com preocupação o aumento dos combustíveis. Ele explica que a situação irá acarretar uma alta nos preços e consequentemente uma retração na economia com a diminuição do poder de compra dos consumidores. “Por outro lado, temos que ver essa situação não ocorre apenas aqui em Erechim, Estado ou no Brasil, é algo que se repete em outros países provocado pela desestabilização da guerra entre Ucrânia e Rússia que traz à tona o quanto ainda somos dependentes de outras nações. Agora vamos aguardar as decisões dos governos estaduais e federais para redução de impostos que pode amenizar essa situação”, destacou.
Aumentos e falta de produtos
O presidente da Associação Brasileira de Indústrias e Fornecedores (Unindústria), Antonio Carlos Carbonari Junior, explica que o aumento dos combustíveis pode gerar um impacto na produção e nos custos, aumentando o valor das entregas e produtos. Além disso, destaca que a situação pode provocar a falta de alguns produtos no mercado. “Grande parte da produção brasileira é transportada pela malha rodoviária. Esse aumento tem um impacto direto no setor industrial, causando uma ruptura principalmente nas áreas das matérias primas que podem faltar, como já vem acontecendo em alguns setores como o de plástico e papel. E isso num curto espaço de tempo”, aponta.
Transporte Urbano
O administrador da empresa concessionária do transporte público urbano em Erechim, João Batistus, destaca que o aumento principalmente do óleo diesel vai impactar diretamente na planilha de custos, já que o combustível é o segundo maior gasto, atrás apenas da folha de pagamento: “Calculamos que esse aumento acarretará um acréscimo de mais de R$ 500 mil em combustível no ano de 2022, e isso sem calcular os insumos que terão seus preços aumentados, principalmente nas peças e pneus”, lamentou.
Mais um impacto no setor rural
Prejudicado pela estiagem que vem atingindo principalmente a região sul do país nos três últimos anos e mais recentemente a possível falta de fertilizantes devido a parada na exportação de minerais como o potássio da Rússia devido a guerra, o presidente do Sindicato Rural de Erechim, Clovis Henrique Tonin, destaca que esse aumento é mais um impacto forte no setor. “Tenho conversado muito com especialistas na busca de soluções. Somos muito dependentes dos combustíveis no setor agrícola, desde dos caminhões que transportam a produção até as máquinas. O que podemos esperar agora é mais um aumento no custo e nos preços dos produtos principalmente os alimentos, infelizmente. Acredito que o Brasil precisa trabalhar para aumentar suas fontes internas e tentar diminuir essa dependência internacional. Temos muitas riquezas no nosso campo”, ressalta.
Aumento no valor dos alimentos
O representante em Erechim da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), Ademir Fávero, destaca que o setor está cauteloso e atento a situação, mas também apresenta uma preocupação na busca de soluções. “É claro que este aumento vai impactar, não apenas o setor supermercadista, mas no geral, pois existe uma dependência grande de transporte. Acredito que estamos saindo de uma pandemia com a diminuição de casos e agora temos uma guerra que interfere em muitos pontos. Vamos aguardar para ver se haverão medidas compensatórias por parte do governo para amenizar os valores. Do nosso lado, vamos em busca de reduzir os custos, seja com um fornecedor mais próximos por exemplo, entre outros pontos para manter o setor em funcionamento”, finalizou.