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Rural

Safra da soja: fase inicial da colheita registra perda de 40%

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A previsão inicial de produtividade era de 62 sacos por hectare mas pode chegar a 38 sacos/ha
Por Izabel Seehaber
Foto Lídio Cuff/Especial BD

Assim como na safra de milho, essa etapa inicial da colheita da soja no Alto Uruguai sinaliza para perdas na produção, causadas pela estiagem.

Com uma área de plantio de 232.353 hectares, produtores da região já observam prejuízos na cultura, que, até o momento, chegam a 40% e podem aumentar até o fim  do período.

De acordo com o engenheiro agrônomo e assistente técnico regional da Emater, Luiz Angelo Poletto, a previsão inicial de produtividade na colheita era de 62 sacos por hectare. “Hoje, a expectativa da equipe técnica da Emater, com base na realidade apresentada nos 32 municípios de abrangência, é 2.329 quilos/ hectare, o que representa em torno de 38 sacos por hectare, tanto na soja plantada cedo, na época recomendada, quanto mais tarde”, relata, citando que, ao mesmo tempo, houve áreas que apresentaram uma recuperação, principalmente as que foram plantadas na resteva do trigo ou mais tarde.  

Informações preliminares

Os dados referentes ao balanço da produção, são informados quinzenalmente pelos profissionais dos municípios e, após, são compilados pelo Escritório Regional em Erechim. “Acredito que esses índices ainda possam mudar um pouco, pois nesse primeiro momento, com aproximadamente 7% das áreas colhidas, a produtividade está sendo muito baixa. À exemplo está a situação dos produtores que requisitaram perícia do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária – Proagro, onde a média não ultrapassou 10 sacos por hectare, principalmente nas variedades de soja mais precoces”, pontua o engenheiro agrônomo, ao mencionar que muitos produtores que iniciaram a colheita agora e esperavam colher mais que 40 sacos/ha, quando colocaram as máquinas para funcionar, perceberam que não chegariam a 30. Mais um desafio para a cadeia produtiva e, vale frisar que, para obter uma noção mais precisa da produtividade na região, é preciso aguardar que pelo menos 50% da soja esteja colhida, provavelmente no início de abril.

Contudo, já é possível contabilizar que as perdas superam R$ 1 bilhão. “Tínhamos uma estimativa de colher 14 milhões de sacos na região e podemos chegar a aproximadamente 9 milhões, uma média calculada com base nos valores atuais, podendo ser modificada”, afirma o assistente técnico regional.

Sobre a planta

Em relação às características comuns das lavouras, Poletto explica que no período da seca houve danos provocados por pragas como tripes e o ácaro, sendo que muitos produtores não puderam realizar tratamento por conta da seca. “As plantas, mesmo que apresentem grãos de qualidade, ficaram muito baixas, entre 55 e 60 centímetros de altura. Isso interfere nos resultados”, acrescenta.

Reflexos atuais do clima

As chuvas isoladas que vem sendo registradas nos últimos dias apresentam impactos favoráveis às culturas, porém, ainda não melhoram efetivamente o abastecimento de água nas propriedades.

Na avaliação de Poletto, de modo geral, o milho safrinha apresenta boa qualidade, assim como as áreas dedicadas ao cultivo do feijão – que nesse ano aumentou para 3 mil hectares na região, algo que nunca havia sido registrado anteriormente. “O mesmo acontece com a soja plantada mais tarde, que registra uma expectativa de boa colheita. A soja safrinha, plantada em janeiro, após o milho, em torno de 15 mil hectares, deve estar na fase de floração e é necessária a umidade, assim como os tratamentos”, observa o engenheiro agrônomo, alertando que, por vezes, os produtores que fazem o plantio mais tarde, nem sempre aplicam as técnicas para controle de doenças, contudo, é preciso atentar que, com as chuvas mais frequentes, a planta fica mais suscetível a problemas como a ferrugem, por exemplo. “Desse modo é necessária a aplicação de produtos para que possa ser alcançada uma produtividade maior, considerando os preços atuais de venda – de R$ 200 a 210 na região”, cita.

Por fim, Poletto lamenta esse cenário com perdas tão expressivas, sendo que é o terceiro ano que não é possível registrar uma safra totalmente cheia do Alto Uruguai. Havia períodos de êxito em algumas localidades, no entanto, nesse ano, todos os municípios apresentam problemas de falta de água e, por consequência, perdas significativas nas culturas.

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