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Opinião

Abril, o mês do Município

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Arquivo pessoal

Ao longo do mês de abril nos debruçaremos sobre informações referentes a cidade de Erechim, tendo em vista que ele é o mês do município. Dia 30/04 a cidade comemora 104 anos de emancipação política e administrativa. Durante o período o Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font realiza/ realizará diversas atividades alusivas à data.

No Saguão da Prefeitura Municipal de Erechim, no Ginásio Poliesportivo do Bela Vista (onde a Coordenadoria da Mulher e o Projeto 60+ executam suas atividades), na Câmara Municipal de Vereadores e nas dependências do Arquivo, podem ser econtradas exposições fotográficas cujo intuito é rememorar / recontar / reconstruir acontecimentos marcantes, o desenvolvimento econômico, social, urbano e cultural da cidade.

O cronograma de atividades ainda conta com Caminhada(s) pelo centro histórico da cidade, palestras em escolas e recepção de escolas no espaço do Arquivo. Estas atividades visam despertar a consciência histórica e principalmente conscientizar sobre a importância da preservação da história local, dos monumentos e do acervo do Arquivo Histórico, consolidando-o como um espaço não formal de educação.

Silva (2004) aponta que comemorações e feriados anuais fazem com que “memórias sejam "re-presentificadas", disputadas, silenciadas, ao mesmo tempo em que identidades individuais e coletivas são (re)construídas a partir de locais híbridos que genericamente poderíamos chamar de festa. A festa, nessa perspectiva, é um local híbrido porque nela estão presentes material, temporal e simbolicamente não só diferentes grupos étnicos, religiosos, políticos e econômicos que advogam para si vantagens em relação a outros grupos com base no passado, mas também aqueles a quem estes grupos, através da (re) construção do passado, tentam silenciar, mas que nem sempre conseguem.  E se não conseguem, é porque talvez os sujeitos os quais se pretende silenciar fazem da sua ausência nos cerimoniais e discursos comemorativos uma presença constante por meio de "gritos simbólicos" que irrompem por todos os lugares da festa”.

Ao longo das últimas décadas, essa relação das festas e das datas cívicas tem se ressignificado de acordo com os processos históricos, sociais e políticos do período em questão um exemplo dessa perspectiva é a construção de álbuns comemorativos.

Segundo Knack(2013) eles foram [são] “produzidos com intuito de vencer o tempo, de cristalizar os respectivos imaginários das cidades a que se referem; nesse sentido são objetos ligados à memória coletiva dos grupos que representam. Resultam, e ao mesmo tempo legitimam um regime de historicidade. Projetam uma determinada visão de história, apresentam as datas, acontecimentos, lugares e personagens que devem ser homenageados e celebrados, portanto reconhecidos pela coletividade a partir de um trabalho de enquadramento da memória. Reforçam os imaginários fornecendo esquemas para interpretar o passado. Ajudam a estabelecer as datas, os fatos, para a coletividade realizar operações de classificação e seleção daquilo que deve ser considerado a memória e a história da cidade”.

As comemorações, são, portanto, ferramentas fundamentais para a consolidação do sentimento de pertencimento, aproximando a comunidade de sua história por meio de eventos que as levam a compreender que a data em sí não é “só” mais um dia, mas sim uma soma de construções sociais e políticas que culminaram no “Aniversário da Cidade”, ao mesmo tempo, possibilitar a reflexão da importância do respeito a diversidade, aos bens comuns, patrimônio histórico, artístico e cultural do local.

Referências

SILVA, Adriano Larentes da. Presente e passado em comemorações de aniversários de municípios. Esboços: histórias em contextos globais, v. 11, n. 11, p. 65-72, 2004.

KNACK, Eduardo Roberto Jordão. Cidades em álbuns comemorativos: história, memória e visualidade. Revista Latino-Americana de História, v. 2, n. 7, p. 273-290, 2013.

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