Ao longo do mês de abril o Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font multiplica seu número de visitantes e pesquisadores em virtude de ser o período em que se celebra o aniversário de Erechim. Dentre as atividades disponibilizadas, temos palestras voltadas para a análise da história de Erechim cujo intuito ultrapassa a ideia de contar / recontar / remontar a história da cidade desde seus primórdios até os dias atuais, por meio de uma abordagem crítica, que aponta aproximações, distanciamentos e tensionamentos dos fatos históricos perante a realidade atual do município.
As atividades propostas buscam desenvolver o senso crítico dos indivíduos, sob a perspectiva de que um sujeito crítico “[...] não pode ficar aflito quando não sabe ‘a resposta correta, essa ansiedade pode impedir a exploração mais completa do problema. Segundo, ter curiosidade intelectual implica em ter honestidade intelectual, a qual não é simplesmente uma questão do caráter do indivíduo. O pensador menos exigente consigo mesmo tende a ver as interpretações que quiser ou que satisfaçam as exigências mínimas (o que o professor queria). Honestidade intelectual significa estar disposto a reformular posições diante de novas informações, a questionar nossas opiniões e a questionar posições que constituem modas intelectuais - a forma mais poderosa de dogmatismo. Terceiro, uma atitude de curiosidade intelectual implica em adotar perspectivas múltiplas, para examinar questões sob várias óticas”. (Carraher, 2011, p. 21)
Paralelo a isto, elas buscam ainda propiciar a todos a possibilidade de pensar a respeito da importância da consciência histórica, que pode ser compreendida como “como a suma das operações mentais com as quais os homens interpretam a sua experiência de evolução temporal de seu mundo e de si mesmos, de tal forma que possam orientar, intencionalmente, sua vida prática no tempo ou ainda o grau de consciência da relação entre o passado, o presente e o futuro” (Cerri, 2010, p. 268).
Neste sentido, buscamos produzir reflexões acerca dos processos históricos por meio uma metodologia que se utiliza de fotografias que apresentam o desenvolvimento urbano, paisagístico, social e político, além de questões sensíveis como a relação com o patrimônio cultural material e imaterial.
Para Cerri, (2010, p. 271-272): “o trabalho didático com a história não se resume ao passado, mas deve articular passado, presente e futuro. É assim que funciona a consciência histórica, e se o ensino de história pode ser redefinido como o esforço por uma intervenção racionalizante e humanista sobre aquela consciência, então é assim que devemos agir. Mais do que um recurso para mobilizar a atenção dos alunos, a articulação do passado com o presente e o futuro no ensino segue as características estruturais do pensamento das pessoas.
Em um cenário cada vez mais complexo e repleto de estreitamentos ideológicos a construção de reflexões acerca da história local, sem perder o olhar macro, é uma tarefa difícil. Exige cuidado e respeito aos processos subjetivos dos sujeitos. Mas é um movimento necessário para superar estes tensionamentos.
Referências
Carraher, D. W. Senso crítico: do dia - a - dia às ciências humanas. (9ed.), Pioneira: 2011.
CERRI, Luis Fernando. Didática da História: uma leitura teórica sobre a História na prática. Revista de História Regional, 2010.