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Opinião

Abril, o mês do Município (III)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Arquivo pessoal

Ao longo do mês de abril estamos explorando as atividades desenvolvidas no Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font acerca da história de Erechim, que compõem a programação do aniversário de 104 anos da cidade, que ocorrerá no dia 30 de abril. Dentre as propostas, temos as caminhadas guiadas pelo centro histórico da cidade. Seu intuito é despertar nos envolvidos sentimentos como o de pertencimento, cuidado com o patrimônio histórico e a consciência histórica, temas já debatidos individualmente nesta coluna.

 “O passeio a pé é a forma mais natural de flanar, porque depende inteiramente de nós e nos deixa totalmente entregues a nós próprios. Passeando a pé, encontramo-nos inteiramente livres para observar as coisas como bem nos aprouver, com total tranquilidade de alma; podemos conciliar o movimento do corpo com as exigências do espírito e, quando quisermos que a observação aumente em um instante para uma visão de conjunto, basta um ligeiro deslocamento do corpo para abarcar todo o horizonte.” (SCHELLE, 2001, p. 69).

Neste sentido, percorrer espaços que fazem parte do nosso cotidiano, como a Prefeitura Municipal, a Praça da Bandeira, Prédio da Comissão de Terras (Castelinho), Monumento ao Colono, prédios em Art Déco e Art Nouveau, o monumento ao Vendedor de Jornais, Praça Júlio de Castilhos, Monumento ao Centenário, Tanque de Guerra e Busto do Tiradentes, encontrados ao longo da Avenida Maurício Cardoso, com um olhar analítico, nos possibilita vislumbrá-los como exemplos que reforçam o discurso constitutivo da identidade local. Cada qual com um significado, representando grupos sociais, fatos, períodos históricos e a história propriamente dita de Erechim.

Kahtouni. et. al, (2006, p. 209-210) apontam que “a cidade está impregnada de histórias, de símbolos, de vida a serem descobertos, para que as nossas possibilidades de interferir através de planos e projetos possam incorporar essa vitalidade e criar propostas que favoreçam as relações, a diversidade e as tipologias locais, colaborando para incentivar a valorização do espaço público”.

Assim, cada caminhada possibilita uma infinidade de interpretações sobre um mesmo objeto, devido as subjetividades de cada um dos envolvidos, ou seja, experenciam cada trecho a partir de suas vivências. Isso é ilustrado quando passamos em frente a Catedral São José para visualizar o Monumento ao Colono e o Obelisco alusivo ao Centenário da Independência do Brasil, é comum ocorrerem comentários sobre a demolição da Igreja Matriz quando o grupo possui membros mais velhos. Dificilmente o assunto surge sem ser provocado quando estamos com turmas escolares.

Portanto, “Experimentar o mundo é sentir o mundo, deixar se afetar por ele; e isso se dá nos lugares de existência, ao longo das vidas dos sujeitos. Quando nos referimos, aqui, à experimentação do mundo, enfatizamos vivências que nos poderão incorporar maturidades, saberes, modos de compreender, ouvir, ver, dialogar. A experimentação do mundo nos permite ampliar as nossas compreensões e, de alguma maneira, refinar as possibilidades de pensamento sobre o mundo e, especialmente no mundo” (HISSA, 2017, p. 135).

Clichês a parte, antes de conhecer o mundo, precisamos conhecer nossos espaços cotidianos e tudo o que eles representam, por isso, nosso trabalho visa também despertar a compreensão da cidade enquanto uma Obra, ou seja, uma criação social de seres humanos para seres humanos, que apresenta diversas temporalidades, cujos objetos (monumentos, planejamento urbano, largura das ruas, organização das praças, arquitetura, prédios históricos e parque) estão dispostos de acordo com as necessidades dos grupos sociais que “ditam” o modelo a ser seguido em determinado período.

Referências

HISSA, C. E. V. Entrenotas: compreensões de pesquisa. Belo Horizonte: UFMG, 2017.

KAHTOUNI, S; et al (Org.). Discutindo a paisagem. São Carlos, SP: Rima, 2006. 239 p.

SCHELLE, Karl Gottlob. A arte de passear. São Paulo: Martins Fontes, 2

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