21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Considerações sobre patrimônio e pertencimento

teste
Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Ao longo do mês de abril o Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font realizou inúmeras atividades alusivas ao aniversário de 104 anos de Erechim, com destaque para palestras nas escolas, caminhadas, exposições fotográficas e visitas guiadas no Arquivo. Após o encerramento destas, e consequente avaliação, percebemos que as abordagens realizadas acerca do prédio da Comissão de Terras, o popular Castelinho, fo-ram as que despertaram mais comentários.

Falar sobre a Comissão de Terras – Castelinho – é ao mesmo tempo polêmico e sensível. O primeiro ar-tigo da Coluna de Paiol Grande a Erechim (20, 21 e 22 de fevereiro de 2021) abordou elementos que caracterizaram a construção do prédio, seu uso e o período que foi cedido à municipalidade. Diluído em outras colunas, fora usado como exemplo de lugar de memória, patrimônio histórico e consequentemente elemento que consolida o sentimento de pertencimento.

Se o tomarmos como exemplo, e, apropriando-se das palavras de Oliveira e Lopes (2018, p. 14): “O patrimônio edificado pode ser pensado enquanto suporte do imaginário e da memória social de uma localidade, ou seja, os edifícios e áreas urbanas possuidoras de valor patrimonial podem ser tomados como um ponto de apoio da construção da memória, de valor e poder como um estímulo externo que ajuda a reativar e reavivar os traços arquitetônicos na formação sócio territorial. Nesse viés, a memória coletiva moldada pelo transpor do tempo não é mais de que um passeio através da história, revisitada e materializada no presente pela arquitetura, reforçando a ligação de identidade e pertencimento do ser humano em certo tempo e espaço”.

Assim, percebemos que o prédio da Comissão de Terras é hoje, um tema sensível, pois seu restauro é viável, porém dispendioso financeiramente. Isso desperta um sentimento dúbio, de um lado aqueles que observam o seu legado e de outro os que observam as cifras. A complexidade do assunto se dá principalmente pelo cenário atual, repleto de incertezas e cujo sucateamento da educação e cultura é voraz. 

Neste sentido, Oliveira e Callai (2018, 143) reforçam que: “proteger o patrimônio é manter vivas as marcas da história, assegurando a possibilidade de que as gerações futuras tomem conhecimento das manifestações produzidas socialmente ao longo do tempo, seja no campo das artes, nos modos de viver, nas crenças, lugares ou na paisagem da própria cidade, com seus atributos naturais, tangíveis e intangíveis.

Portanto, a proposta de abordar essa temática tem como objetivo principal conscientizar sobre a importância do Patrimônio Histórico local, pois ele representa todos os processos constitutivos da Colônia Erechim até o aniversário de 104 anos recentemente completados pelo município. O prédio da Comissão de Terras é o maior exemplo da luta entre o preservar x capitalizar.

Que o preservar, vença.

Referências

OLIVEIRA, T. D. de; CALLAI, H. C. Cidade e arquitetura: (re) conhecer e preservar através da educação patrimonial. Plures Humanidades, Ribeirão Preto, v. 19, ed. 1, p. 135-146, 2018.

OLIVEIRA, T. D. de; LOPES, C. E. J. Monumento, monumentalidade, valor e poder: interações com a memória e preservação arquitetônica. METAgraphias: letra JK de JK de utopias políticas possíveis v.3, n.3, p. 1-17, 2018.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;