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Rural

Diálogo e protesto: movimentos em prol das famílias atingidas pela estiagem

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Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Dias marcados por reuniões, conversas e manifestações. Assim foram as últimas semanas para as lideranças que integram a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-RS). Elas estiveram mobilizadas na busca por alternativas que possam auxiliar os produtores atingidos pela estiagem.

O coordenador da entidade, Douglas Cenci, participou do programa Bom Dia Entrevista, na quinta-feira à noite, onde fez uma avaliação sobre o roteiro seguido e os reflexos a partir do ato em Porto Alegre, no intuito de chamar a atenção do governo para o tema.

Inicialmente, Douglas relatou que os agricultores ainda sofrem com os múltiplos impactos a partir da seca, embora, com as chuvas recentes, já tenha havido a recuperação das condições das próprias nascentes. “Contudo, o agricultor ainda precisa concluir a colheita, sendo que essa safra foi prejudicada desde o plantio e agora o cenário é de índices bem abaixo do esperado, seja na soja, no milho. Ainda há consequências de maior duração, como no caso dos produtores de leite, os quais tiveram muitos problemas para produzir os alimentos para os animais e os volumes são insuficientes para o enfrentamento a esse período de entressafra nas pastagens e, posteriormente, no inverno, onde há momentos mais críticos”, comentou, ao citar que o produtor está descapitalizado por conta de uma estiagem severa neste ano e de uma anterior que também retirou a sua margem de lucro. “Tudo isso atrelado a um custo de produção elevado, nunca antes visto na história da agricultura, somado a um conjunto de situações geradas pela pandemia. Um contexto de muita dificuldade”, frisou o coordenador da Fetraf-RS.

Em busca de uma política estruturada

Conforme a liderança, é preciso enfrentar um clima desequilibrado, consequência das próprias ações do ser humano. “Nós da agricultura familiar entendemos que é fundamental uma atenção especial a esse campo e somos referência no cuidado que envolve a missão de produzir e preservar as matas e as fontes de água. Ao mesmo tempo, esses movimentos que promovemos são exatamente porque não temos uma política pública estruturada que consiga atender a todos os produtores diante dos desafios impostos pelas condições climáticas. Conquistamos há 20 anos, a partir de um movimento que a região promoveu, o seguro agrícola Proagro, que é muito importante, porém, ainda está atrelado ao financiamento. Sentimos a falta de uma medida que dê condições, para além do milho e da soja, à fruticultura e à produção leiteira, por exemplo”, ressaltou.

Nesse sentido, salientou Douglas, o produtor tem a missão de produzir mas a responsabilidade de fazer com que esses alimentos cheguem até a mesa da população, é do Estado. “Se não ocorrem investimentos em políticas públicas, deve haver um socorro aos produtores nos momentos de dificuldade. Caso isso não ocorrer, a sociedade vai pagar a conta no supermercado e os preços estão altos, desde a carne e muitos outros itens que tem apresentado elevação”, pontuou.

Expectativa

O encerramento das manifestações foi marcado por uma reunião na quarta-feira, em Porto Alegre. “Lembramos as dificuldades enfrentadas, da responsabilidade do Governo do RS e do compromisso assumido com os agricultores, em liberar um auxílio emergencial de 1 salário mínimo por família, na perspectiva de atender pelo menos 100 mil que necessitam de um suporte mais específico e, também, um crédito que permita ao produtor, um recurso de capital de giro, seja para comprar alimentos para os animais ou pagar a despesa com as lavouras, na agropecuária, no mercado e ter condições de sobreviver até a proximidade da safra”, declarou.

Segundo o coordenador da Fetraf-RS, o grupo de representantes da categoria havia participado de reuniões na semana anterior com a Secretaria Estadual de Agricultura e outros contatos, mas não foi obtido retorno. “Estamos conversando há cinco meses com o governo e sabemos que recursos existem e ainda aguardamos uma resposta concreta. Outra medida importante para a nossa região é o crédito dos R$ 10 mil sem juros, sendo que uma iniciativa parecida já contempla os pequenos e médios empresários. Entendemos que o agricultor também possui essa necessidade, porém, o governo ainda não começou estudar a possibilidade. Isso nos preocupa, pois trata-se de algo que atenderia a maioria dos produtores do Alto Uruguai”, frisou.

O grupo estima obter um retorno sobre as demandas encaminhadas até o dia 19 deste mês.

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