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Opinião

Memórias de Viagem: Itália -Terra de Origens (Parte I)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Viajar nos transforma, às vezes de modo superficial, às vezes de maneira profunda. É como uma sala e aula. A vontade de viajar, de abrir nossa mente e ir além daquilo a que estamos habituados, é tão antiga quanto a própria humanidade.

Reminiscências

A viagem para países do exterior “reflete uma jornada para o interior de nós mesmos – o mais desconhecido, estranho e menos explorado de todos os territórios”. As maravilhas da Itália, sua Capela Sistina, as ruelas de uma cidadezinha da Riviera Italiana, a região vinícola da Toscana, o rico norte da Itália e a bela, plena cheia de história e mistérios Região do Vêneto.

O êxodo italiano

Na Itália aconteceu um longo hábito de êxodo, que marcou muitas famílias. Do século XV ao XX, os italianos deixaram suas localidades rumo a destinos próximos e longínquos. Sonharam com uma vida melhor e impregnaram a paisagem social e cultural de grande parte do planeta.                  

No século XV, quando os homens não eram atraídos pelo chamado do ouro ou pela exigência mercantil de controlar os entrepostos marítimos, eles tornavam-se frequentemente missionários cristãos. Nos séculos XIX e XX, somou-se e essas vocações iniciais a necessidade de escapar das dificuldades econômicas. O forte crescimento demográfico obrigava os filhos menores a partir, pois só os mais velhos tinham o direito de herdar as terras da família. Mas, os motivos do êxodo também eram políticos. Fugiram das Guerras e das Revoluções. Estas, sempre foram uma constante na Europa.

Destino dos emigrantes

O destino dos emigrantes nem sempre era bem longe. Durante muito tempo, se instalaram na Alemanha, na Suíça e na França. O êxodo também aconteceu dentro da própria Itália – os do sul foram para o norte do país. Os imigrantes podiam encontrar trabalhos sazonais nas regiões de colheita, como nas províncias viníferas, mas a maioria deles dirigia-se para as cidades.

Trabalhadores pouco qualificados, quase sempre rurais e, em sua maioria, com baixa escolaridade, permaneceram inicialmente na base da escala social. Mas logo eles tiveram que optar entre a inserção definitiva no lugar escolhido ou o retorno à sua origem. Na realidade, mais que a antiguidade da onda migratória, é a capacidade de se integrar às estruturas do lugar escolhido que garante a implantação perene de uma comunidade. Essa integração nem sempre é fácil, pois a segregação persegue o migrante. O fato de o trabalho na terra simbolizar a miséria e as duras condições de vida que as famílias sofreram as fizeram buscar lugares melhores.

A dispersão italiana

 Os italianos migraram, principalmente, para a França, Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil.  Grande número deles permaneceu nos países, principalmente os que haviam partido jovens, solteiros em sua maioria voltaram à Itália. Milhares chegaram ao Brasil para trabalhar em lavouras, principalmente em São Paulo e Paraná. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram grandes colonizadores.   

Diferenças entre o Norte e o Sul da Itália

 Um desenvolvimento em ritmo diferente. O Norte se assemelha a uma liderança industrial no qual resultam nomes como Benetton, Fiat, Ferrari, Pirelli. Na liderança do crescimento econômico, estão as cidades de Vicenza e de Treviso. No Sul, as condições são mais adversas como estruturas sociais rígidas e problemas com a máfia. O grande benefício é o turismo, que alavanca a economia da região. Mas, o crescimento da economia italiana depende muito do Norte do país.

Origem dos italianos que aqui chegaram

Vieram principalmente da Região do Vêneto. Esta fica na Província de Vicenza e a sua capital é Veneza.  A região está localizada na Zona dos Alpes, na prealpina, nas colinas, na planície do Rio Pó, na costa leste da Itália, no litoral Adriático e no Lago de Garda.

 A região do Vêneto abrange as Províncias de Belluno, Pádua, Rovigo, Treviso, Veneza, Verona e Vicenza.  Belas rodovias cortam montanhas, dirigem-se às planícies e beiram as águas de lagos e rios.

Grande parte da vinda de italianos do Vêneto para o Brasil aconteceu no período antes da Primeira Guerra Mundial. Após a Segunda Guerra, o fluxo foi bem menor.

Conclusão

Os italianos que aqui chegaram vieram de lugares empobrecidos e não conviveram com “La Dolce Vita”. Esta é um convite à felicidade. Tudo é pretexto para se reunir em torno de um “caffe” acompanhado por “biscotti” A Itália é o país da paixão pelo café. Apreciam, em particular, o cafezinho preto tomado ao fim das refeições. Gostam de frequentar os mesmos lugares, encontrar o garçom que conhece seus gostos e os vizinhos de mesa fiéis ao lugar, com os quais, mais uma vez, eles sonharão em mudar o mundo... Viver e falar sobre a vida e pedir: “ Un caffe, per favore!”. CIAO A TUTTI!

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