O reflorestamento implantado na região do Alto Uruguai Gaúcho a partir de 1992 pela Cotrel em parceria com diversas entidades, como Prefeitura Municipais, AMAU, EMATER Regional, EMBRAPA FLORESTAS, SEFARGS – Sociedade dos Engenheiros Florestais Autônomos do RGS, URI – Campus Erechim, entre outros, ativou o setor florestal com o plantio de florestas de múltiplo uso, tornando a região autossuficiente, especialmente na produção de lenha para secagem de grãos, ervateiras, frigoríficos, curtumes, olarias, padarias, fabricas de balas; varas para construção civil e obras rurais; maravalha para aviários e chiqueirões; palanques e moirões para cercas; além de toras para serrarias. Se reflorestou em torno de 23.000 hectares de eucaliptos e 7.000 hectares de pinus.
Finalmente, depois de 15 anos de trabalho, a região se tornou autossuficiente em matéria prima florestal, quando a oferta superou a demanda. O Alto Uruguai também acabou sendo fornecedor de lenha e toras para os municípios de Chapecó e Concórdia em Santa Catarina.
Entretanto, a escassez de mão de obra no meio rural e os altos custos da exploração florestal (corte, empilhamento e carregamento) e transporte, e o preço estagnado da lenha e das toras há 12 anos, fez com que o produtor rural desanimasse, e não continuasse investindo nesta atividade.
Nestes últimos 10 anos não se observa novos plantios de eucaliptos, e muito menos pinus ou pinheiro americano. Segundo dados da EMATER Regional, fornecidos pelo Engenheiro Agrônomo, Angelo Poletto, a região de abrangência da AMAU, composta por 32 municípios, possuía em 2018 aproximadamente 18 mil hectares de eucaliptos e 4 mil hectares de pinus. Pelos estudos, o consumo era em torno de 2 mil hectares por ano de florestas.
Atualmente, a região deve ter ainda em torno de 12 mil hectares de eucaliptos e uns 3 mil de pinus. Isto permite se ter florestas por mais 7 anos, ou seja, um ciclo florestal para lenha.
O agravante é que os proprietários rurais estão cortando suas florestas e destocando para plantar culturas anuais. “Quem destoca não pretende mais voltar a reflorestar”. Isto é péssimo, porque daqui alguns anos, a região sentirá a falta de produtos florestais, especialmente lenha e toras. Hoje já está vindo lenha e cavaco de outras regiões do estado, e até de Santa Catarina.
As empresas verticalizadas, que necessitam da biomassa florestal para manter suas indústrias terão que partir para a compra de áreas reflorestadas e/ou terras para reflorestar, afim de garantir parte ou em todo a sua auto sustentabilidade. O qual é um fato inédito, pois sempre se abasteceram do fornecimento de madeiras produzidas pelos proprietários rurais.
Esta situação drástica não é reflexo só no norte do RS, mas em todo Estado, em SC e PR, e demais estados brasileiros. Tanto que empresas madeireiras de SC e PR tem vindo comprar florestas, especialmente de pinus no norte do RS.
De abril para cá o acréscimo no preço da lenha foi de 40%., saltando de R$ 85 para R$ 120 posto na indústria (madeira empilhada com um metro de comprimento, por um metro de largura e com um metro de altura). E a previsão é que chegue a R$ 150 neste inverno.
É hora de ativar os programas municipais de Fomento Florestal na região do Alto Uruguai. Caso contrário, brevemente nos tornaremos novamente uma região importadora de madeiras, seja para geração de energia – lenha e cavaco; seja para a construção civil e indústria moveleira.
O famigerado “apagão florestal” está a vista. É hora de reflorestar!