Na sexta-feira (27) foi celebrado o primeiro ano da certificação de zona livre de febre aftosa sem vacinação do Rio Grande do Sul. O reconhecimento foi concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e é motivo de comemorações, expectativas e desafios.
Segundo a médica veterinária, responsável pela Inspetoria de Defesa Agropecuária de Erechim e supervisora do Departamento de Produção Animal de Passo Fundo, Michele Tainá Derks Maroso, já é possível observar diversos avanços e, com isso, amplia-se o alerta para o cuidado permanente. “Fica os parabéns a todos, pois, em abril de 2020 foi a última vacinação contra a febre aftosa na região. Naquela fase iniciou os encaminhamentos em direção à certificação internacional e comprovação de que tínhamos um serviço veterinário oficial de excelência e comprometimento da cadeia produtiva para que isso acontecesse. A OIE entendeu que o RS estava contribuindo, concedendo a garantia de que a vacinação poderia ser retirada sem perdas na sanidade”, explica Michele, que participou na quarta-feira (25), de uma reunião de interiorização com a direção estadual. “Na ocasião foi citado que, atualmente, 40% da receita do Estado é oriunda do agronegócio e a região de Erechim também está inserida nesses indicadores”, reitera.
Conquista e desafios
Em relação aos frutos positivos a partir da classificação de zona livre de aftosa, um ponto de destaque é que a Coréia do Sul já encaminhou um questionário para ser avaliado, o que já representa a abertura de mercado.
Sobre os desafios, a responsável pela Inspetoria de Erechim pontua que são muito expressivos, pois, as ações relacionadas à prevenção da febre aftosa são consideradas o ‘carro-chefe’ do serviço veterinário oficial e de comercialização de produtos, não somente de origem animal, mas inclusive de grãos. “Essa certificação nos ampliou uma importante visão em âmbito mundial, sendo que o estado do Rio Grande do Sul possui esse significativo diferencial em relação a sanidade animal, considerada de excelência no controle de movimentação animal. “Devemos estar atentos ao que pode acontecer. Esse alerta é do serviço de veterinária oficial e deve estar interligado diretamente com os produtores e as indústrias ou empresas integradoras. As primeiras pessoas que irão perceber alguma diferença, problema ou sintomatologia atípica, é o produtor, nossa fonte inicial de informação”, enfatiza.
A médica veterinária relata ainda, que atualmente são aplicadas algumas ações para reduzir o risco para a febre aftosa em propriedades sorteadas ou escolhidas pela equipe técnica da Inspetoria. “Normalmente estão inseridas as propriedades que registram expressiva movimentação de animais, que os levam para feiras e exposições e, também, as localidades em que o proprietário está fora do Brasil. “Realizamos uma inspeção clínica para observar se há algum sinal mas, volto a dizer: o primeiro alerta é sempre obtido com o produtor, que está vendo os animais diretamente e, caso necessário, deve nos avisar imediatamente para que possamos agir de forma rápida, a fim de evitar a disseminação de algum tipo de doença”, orienta ao acrescentar que não é possível menosprezar sinais clínicos, por exemplo, pois ali pode ser a possível entrada de algum problema. “No Estado já contamos com o Programa Sentinela, que age em nível de fronteiras, e precisamos manter esse foco. Temos uma fronteira seca com o Uruguai e outra com rio com a Argentina, onde são realizadas atividades e foram encontradas passagens de animais irregulares por essas vias. Todo cuidado é essencial”, declara Michele.
Responsabilidade
De acordo com o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Domingos Velho Lopes, trata-se de um momento de responsabilidade. “A manutenção do status sanitário é um compromisso de todos. E tenham certeza que a Secretaria da Agricultura está muito atenta, com suas diversas atividades sendo realizadas com competência pelos servidores, em todos os rincões, contribuindo para o movimento que vai culminar na conquista de mercados”, salienta.
O presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Estado (Acsurs), Valdecir Folador, concorda que este status facilita o caminho até mercados mais exigentes. “No caso da cadeia da suinocultura, acaba ajudando porque tem países que só importam carne de zonas livres de aftosa sem vacinação”, lembra Folador.