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Rural

Agricultura familiar: ‘Produzir alimentos com melhores condições de vida’

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Lideranças promoveram um painel com análise da conjuntura atual
Por Izabel Seehaber

A quarta-feira (8) foi marcada pelo reencontro presencial de autoridades, lideranças e produtores da região durante o VII Congresso da Agricultura Familiar promovido pelo Sindicato Unificado dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Alto Uruguai (Sutraf – AU). A programação, que acontece a cada três anos, teve como sede em 2022 o Seminário de Fátima, em Erechim.

Durante todo o dia, os participantes puderam debater e assistir às palestras com o lema: “Agricultura familiar produzindo alimentos e lutando por melhores condições de vida”.

A abertura contou com música e uma mística que retratou o período de conquistas, lutas, resistências e momentos desafiadores, denominados pela organização como retrocessos vivenciados no Brasil no âmbito social, econômico, educacional e cultural. Na sequência também foi aprovado o regimento do Congresso.

Ainda durante a manhã, um painel com análise da conjuntura atual foi realizado com a participação do coordenador do Sutraf Alto Uruguai, Alcemir Bagnara; do coordenador da Fetraf/RS, Douglas Cenci; e do presidente da CUT/RS, Amarildo Cenci.

Traçar linhas de atuação

Momentos antes de iniciar os trabalhos, o coordenador geral do Sutraf Alto Uruguai, Alcemir Bagnara, declarou que o congresso é uma atividade extremamente importante e especial, desenvolvida em um ambiente de expectativa, principalmente de análise em razão do momento vivenciado atualmente, com a discussão sobre os principais problemas vivenciados pela agricultura familiar e o sindicalismo. “O intuito é apontar as principais linhas de atuação do nosso trabalho para o próximo trimestre. Buscamos promover um espaço de debate junto aos produtores e registrar encaminhamentos significativos, tendo em vista os desafios expressivos que observamos hoje e pensando no futuro. Que a agricultura familiar possa expandir e produzir alimentos que vão para a mesa da população. Sabemos que eles estão chegando com um preço muito alto e isso é resultado da falta de políticas públicas”, pontuou Bagnara ao salientar que a participação dos produtores, inclusive jovens, foi muito positiva.

Entre as definições de atuação apresentadas após o evento está: Defesa e valorização da agricultura familiar como uma categoria profissional e um modo de vida, de forma que se diferencie do agronegócio; Ação contra o desmonte em relação às políticas públicas, com o propósito de recuperar as já existentes e criação de novas, com fortalecimento de recursos; Fortalecimento do sindicato, envolvendo visitas às famílias e reuniões nas comunidades. “A entidade desempenha um papel importante na articulação junto a outras relacionadas à agricultura familiar na construção de um projeto de desenvolvimento para o Alto Uruguai. Nesse campo, aprovamos dois eixos de aperfeiçoamento: comunicação e formação”, mencionou.

Esperança em um futuro melhor

Na ocasião, o coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf/RS), Douglas Cenci, enalteceu que o Sutraf é o maior sindicato da federação e tem uma importância significativa, estando em uma região onde a agricultura familiar exerce um papel determinante não só na economia, na cultura e na produção de alimentos. “Para mim, estar no evento, integrar a categoria e ser sócio do sindicato, é gratificante, um momento onde podemos encontrar as lideranças que participaram do processo de discussão nos municípios e trazem suas realidades e dificuldades para serem compartilhadas na busca por alternativas de forma conjunta”, ressaltou ao acrescentar: “o momento é de dificuldade mas temos esperança em um futuro melhor, com mais políticas públicas, incentivo e reconhecimento dos governos para que possamos prosseguir com o nosso papel”.

Agricultura familiar como aliada

Para o coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Contraf – Região Sul), Rui Valença, o congresso aconteceu em um momento único na história da agricultura do País. “Por um lado, observamos indicadores de que estamos batendo recordes, principalmente de produção e exportação e, por outro, há informações de que há 30 milhões de pessoas no Brasil passando fome. Entendemos que há uma situação socioeconômica difícil, com falta de renda e tudo mais. Do mesmo modo, entendemos que a agricultura familiar pode ser a solução, ou parte dela, para esse problema, considerando que, tradicionalmente, o papel do setor é produzir alimentos. Para tanto, é necessário apoio, desde financiamentos, assistência técnica, políticas de armazenagem e distribuição”, enfatizou.

Valença reforçou que o Sutraf e a Fetraf trabalham para orientar, discutir e ajudar a organizar esse sistema de produção de alimentos para que seja mais sustentável e esteja baseado em uma organização solidária, com base no cooperativismo. “Nessa linha, os sindicatos dos municípios debatem em âmbito local e seguem essa mesma perspectiva”, afirmou.

A segunda etapa do Congresso está programada para o dia 06 de julho, onde também ocorre a posse da nova coordenação do Sutraf Alto Uruguai.

 

 

 

 

 

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