Os Arquivos Históricos podem e devem ser concebidos como espaços de formação de sociabilidades devido a troca de experiências entre os indivíduos que frequentam o local. Compreender isso, é ampliar o papel de atuação do Arquivo Histórico enquanto ambiente não formal de Educação. Grosso modo, seria adaptar o(s) Arquivo(s) às novas tendências, como por exemplo a inserção de centros de interesse que vemos em larga escala na educação infantil.
Este exemplo não se aplica com o intuito de uma simples comparação entre dois universos. As novas perspectivas historiográficas tendem a valorizar sujeitos e processos, portanto, é fundamental compreender quem é esse sujeito e como um determinado processo impacta em seu desenvolvimento psicocognitivo.
Primeiramente, trago as considerações de Simmel para iniciar a nossa discussão, e o apontamento de que “os indivíduos estão ligados uns aos outros pela influência mútua que exercem entre si pela determinação recíproca que exercem uns sobre os outros” (SIMMEL, 2006, p.17), e, que a sociabilidade é a “forma pela qual os indivíduos constituem uma unidade no intuito de satisfazer seus interesses, onde forma e conteúdo são na experiência concreta processos indissociáveis” (SIMMEL, 2006, p. 65).
Neste contexto, podemos inserir ainda a noção de subjetividade. Para Mezan, existem duas maneiras de entender a subjetividade, ela como experiência de si e como condensação de uma série de determinações. A primeira, se daria pelo fato do indivíduo ser afetado por alguma coisa e a segunda, pelo interesse em fatores que combinados, “engendram uma modalidade específica de organização subjetiva”. Se determinaria socialmente, a partir de três eixos: singular, universal e particular. Ainda para ele, a subjetividade como estrutura e como experiência de si, “depende sobremaneira do lugar social que ocupa o indivíduo, se está ao lado dos que produzem a mais valia ou dos que fazem apropriação dela.”
Esta construção visa transformar o indivíduo parte de um coletivo e para isto encontramos elementos que permeiam esse processo: língua, religião, corrente político ideológica e time esportivo, por exemplo, ajudam a educação a formar e moldar esse indivíduo. Ele é instituído socialmente pelo fato de ser criado pelas sociedades, sendo assim, um elemento constituinte dela, como a língua, as regras de parentesco, os valores, os métodos de trabalho etc.
Essa incursão teórica é complexa, mas interessante para compreendermos de que forma as experiências dentro de um Arquivo Histórico e por consequência sobre elementos da História Local impactam cada pesquisador de maneira distinta. A igreja matriz, os incêndios da Avenida Maurício Cardoso, mandatos políticos como o de Amintas Maciel, José Mandelli Filho ou Aristides Agostinho Zambonatto podem ser interpretados / reinterpretados a partir das vivências do pesquisador / memorialista / visitante.
Ao mesmo tempo, e não menos importante, fato do Arquivo Histórico salvaguardar elementos da memória local, possibilita que os frequentadores possam construir suas próprias colchas de retalhos sobre suas pesquisas, memórias a partir das informações coletadas dos documentos ou das conversas regadas com um cafezinho.
Referências
Mezan, R. Subjetividades contemporâneas. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
SIMMEL, G. Questões fundamentais de sociologia: indivíduo e sociedade. Tradutor Pedro Caldas. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.