A família Araucariaceae é o grupo mais primitivo de coníferas ainda vivas, e surgiu na Era Paleozoica, durante o período Carbonifero Superior, há 308 milhões de anos.
Na América do Sul há duas espécies do gênero Araucaria: a Araucaria angustifólia (Bert.) O. Kuntze, denominada de araucária, pinheiro brasileiro ou pinheiro do Paraná, dispersa no Brasil, um pedaço da Argentina e Paraguai; e a Araucaria araucana (Mol.) K. Koch, conhecida como araucária do Chile, dispersa na região dos Andes no Chile e na Argentina.
Estudos dizem que a expansão das matas de araucária se deram a 6.000 anos atrás no período Holoceno, quando houve um aumento da temperatura e da umidade. Mas, a grande ocupação dos campos do sul do Brasil se deu há 1.500 anos. Também, estudos arqueológicos sugerem que a ampla expansão e ocupação dos planaltos foi devido aos indígenas das tribos Kaingang e Xokleng, que há 1.450 anos atrás ocuparam esta região, e tinham no pinhão um alimento de inverno. E ainda, usavam a araucária para delimitar seu território. Fácil de compreender, os pinhões são sementes grandes de difícil dispersão por animais, ocorrendo apenas em pequenas distancias, o que reforça a hipótese de que os humanos tiveram expressiva contribuição na sua dispersão no Sul do Brasil.
A Araucária foi uma das mais importantes espécies florestais do Sul do Brasil, assim como a erva-mate. Antes da colonização, as matas de araucárias chegaram a estender-se por 185.000 quilômetros quadrados, ocupando 1.850.000 hectares de áreas. Na região Sul cobria um terço da superfície.
Estimativas sustentam que 100 milhões de pinheiros foram abatidos e viraram madeiras para construir casas, fabricar móveis, construir ferrovias e fazer brotas cidades, atingindo o auge da exploração na década de 70.
Embora, havendo grande preocupação do Governo de Getúlio Vargas, que criou o Instituto Nacional do Pinho, a lei da reposição florestal, que para cada árvore abatida deveria se plantar cinco. Mas, a falta de consciência dos madeireiros e proprietários rurais com relação a devida reposição florestal da espécie fez encerrar na década de 90, um dos mais importantes ciclos econômicos do Brasil. Perdemos todos!
É na dita Floresta Ombrófila Mista que ocorre a espécie. Esta floresta faz parte do Bioma da Mata Atlântica. O ambiente das araucárias ocorria no topo das cordilheiras e nas suas encostas.
Em 22 de dezembro de 2.006 foi promulgada a Lei da Mata Atlântica, que vetou a possibilidade de manejo de espécies nativas em florestas naturais. Mas, em 2001 o corte da araucária já havia sido legalmente proibido no Brasil, com o objetivo de frear sua dizimação. Mesmo que estas leis criadas visam principalmente a conservação das espécies, seu cunho preservacionista inibe o plantio ou a regeneração natural por parte dos proprietários rurais. Portanto, a lei teve um sentido reverso, ou seja, ninguém mais planta, e se aparece o lema é “matar o mal pela raiz”. Sem projetos de reflorestamento ou de incentivo ao plantio, a espécie está fadada a constar apenas em “fotografias”.
Aqui na região do Alto Uruguai vimos poucas arvores frondosas de araucária, pois as maiores e melhores viraram madeira, as menores escassas sobrevivem somente na borda de encostas íngremes, alguns capões de matas remanescentes, beira de estadas e cercas.
Em potreiros é um empecilho ao pastoreio do gado, nas lavouras um empecilho a passagem das maquinas. Os que ainda vegetam nestes locais vão “morrendo e sumindo aos poucos”. É fácil observar nestes locais, o “pinheiro levantando os galhos para o céu, é o sinal de que está morrendo. Em dois anos estará morto e seco”. Senão, vê-se os pinheiros já secos. Desta forma, a lei permite aproveita-los.
Qual é a tática usada para mata-los, seja no campo ou na cidade¿ Simples, fazer alguns furos na base de seu tronco e colocar um herbicida sistêmico.
E assim, nossa exuberante mata de araucária foi destruída. Agora, as arvores remanescentes estão desaparecendo.
Onde está a consciência ecológica, a consciência daqueles que enriqueceram às custas da araucária.
Sua perpetuação depende dos humanos, sejamos Kaingang e Xokleng. Campanhas de semeadura ou plantio se fazem necessário para deixarmos aos nossos sucessores a exuberância deste magnifico cidadão vegetal.