Um deslumbrante cenário de mármore e água, uma história única que alia arte e comércio há mais de mil anos. Veneza fascina escritores, artistas e viajantes do mundo inteiro, que descobrem, no coração da laguna, o espelho de seus sonhos.
Reminiscências
Veneza oferece um magnífico conjunto arquitetônico e muita animação. Suas festas internacionais – Carnavale- e as exposições de seus museus são provas de vitalidade no domínio artístico, no passado e no presente. Pousada sobre a laguna, a cidade escolheu como símbolo o Leão Alado, do Evangelista São Marcos, aproveitando-se de sua situação estratégica entre ocidente e Oriente para desenvolver um comércio marítimo frutífero. Aos carregamentos de pimenta e especiarias vindos do Oriente, juntavam-se o algodão, o veludo, a seda, o couro, o ouro e a prata. Os artesãos os utilizavam como letras de câmbio e assim controlavam os bancos da Europa.
Veneza e sua estrutura
A força das marés provoca a erosão dos palácios. Também contribuem o excesso de barcos a motor que atravessam os canais e o grande afluxo de turistas. Num planejamento realizado as casas já foram reforçadas para resistirem a força das águas. Separadas pelo Grande Canal existem 118 ilhotas entrecortadas por 177 canais e unidas por 453 pontes.
Desde o século XIX, as indústrias se concentraram em Mestre, cidade no litoral. Assim foi o êxodo de seus habitantes, que abandonaram o centro histórico para se estabelecerem em terra firme, mais perto do trabalho.
O número de pequenos comércios e de artesãos diminuiu e várias famílias venezianas venderam seus palácios para estrangeiros. O sucesso do Carnaval e das festas históricas acentuou os efeitos da indústria turística.
Passeio por Murano
Nas ilhas de Murano e Burano surgiram os cristais mais conceituados do mundo. O turista pode ter uma pequena aula de como é feito um vaso de cristal. Ainda ver o sopro dos artesãos criando cavalos, borboletas e outras peças. Vale a pena adquirir lindas obras como lembranças. Nesses lugares, o preço das peças é menor daquele que é cobrado no centro da cidade. Lugares tranquilos, de prédios antigos de pedra e com o silêncio somente quebrado pelas vozes e sons de dentro das casas.
As gôndolas
O charme de Veneza são as gôndolas. Algumas decoradas com almofadas em forma de coração, ideais para casais apaixonados. Outras, com flores e bancos de veludo. O gondoleiro remando, ao entardecer, empoleirado na ré do barco e entoando “O Sole Mio” faz parte do imaginário de muitos que sonham com a cidade que flutua sobre o Adriático. Os barcos fazem parte da história da cidade. Os preços ficam mais inflacionados ao cair da tarde, quando a procura é maior. O som dos remos a bater na água, ecoando pelas estreitas vias entre edifícios, permite a descoberta de uma Veneza diferente, mais humana e mais acolhedora. A nostalgia do passado leva a lembrar a cidade que dominou o Mediterrâneo. Atrás da Praça San Marco, está o Bacino Orseolo, onde ficam ancoradas as gôndolas e onde os passeios iniciam.
Piazza San Marco
Considerada o centro de Veneza. É uma das praças mais belas do mundo, cheia de cafés, lojas e turistas. Os tradicionais pombos da praça, por motivos de higiene, foram retirados. Nela se encontra o célebre Campanile, a estrutura mais alta da cidade. A torre atual é uma recriação erguida no século XX a partir da construção original do século VIII, que desmoronou em 1902. No seu topo, em dia claro, é possível ver as Montanhas Dolomitas. Napoleão, em 1797, disse que a praça era “a mais primorosa sala de estar da Europa”. A cada 60 minutos, dois mouros de bronze anunciam a hora lá do alto da Torre dell’Orologio, do século XV. A praça, à tarde, recebe multidões e, à noite, transforma-se em cenário intensamente romântico.
Basílica Di San Marco
Foi construída originalmente como o local do repouso final de São Marcos, cujo corpo foi retirado, às escondidas, de Alexandria por dois mercadores no ano 828. A estrutura atual é a terceira igreja edificada no mesmo local e data do século XI. No estilo bizantino, parecendo uma mesquita, é uma das igrejas católicas mais belamente decoradas de todo o mundo. No alto externo, está coroada por quatro cavalos de bronze trazidos de Constantinopla em 1204, como produtos de pilhagem. Os originais estão no museu dentro da basílica. O sarcófago de São Marcos repousa sob quatro colunas no presbitério. Atrás do altar-mor fica o Pala d’Oro, uma peça toda coberta de joias e ouro e foi criada no século X por ourives medievais. Os mosaicos que revestem o interior roubam a cena. Obra-prima criada por artesãos venezianos.
Orient= Express de Veneza
O trem dos reis e o rei dos trens. O primeiro Orient-Express partiu de Paris rumo a Istambul-Turquia em 1883. Percorria 2.735km pela Europa. Em 1977, voltou aos trilhos com o nome de Simplon-Orient-Express de Veneza. Muitas rotas ligam Roma, Praga e Istambul. Mas, a mais tradicional viagem é a de 32 horas entre Veneza e Londres. O antigo trem ficou celebrizado por Agatha Christie no seu romance ”Assassinato no Orient-Express”. Assim, a mais perfeita e luxuosa viagem de trem está novamente disponível, ainda que sem os espiões, as estrelas do cinema e as figuras da realeza de outros tempos. Grande luxo da Europa.
Conclusão
Ao longo do Grande Canal, multiplicam-se diversos palácios. Alguns transformados em hotéis, outros adaptados em colégios e universidades e alguns continuam a servir de residências. A descoberta de todos faz parte do desafio que representa viajar ao longo do Canal de vaporeto ou de gôndola. Refugiados nesse universo de pântanos desde o século VI, os vênetos escolheram o lugar de alagadiços para refúgio, para fugir das invasões dos bárbaros. Veneza foi fruto do medo dos habitantes do litoral. “VENEZA, cidade louca, sempre branca, bela e risonha...Por que tu és tão bela ?”