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Opinião

Arquivos históricos e o rigor metodológico

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Escrever sobre a história de um determinado povo, comunidade, cidade ou acontecimento é uma tarefa complexa. Quando partimos de fontes disponíveis em arquivos históricos e museus, os cuidados precisam ser redobrados. Ignorar isso é dar voz e vez aos movimentos articulados que buscam distorcer elementos e gerar interpretações negacionistas por exemplo.

Primeiramente, precisamos compreender que documento “[...] é, antes de mais nada, o resultado de uma montagem, consciente ou inconsciente, das sociedades que o produziram, e das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, ainda que pelo silêncio” (Le Goff, 1996, p. 538).

Além disso, é fundamental a percepção de que a fonte “[...] é o contato possível com o passado, mas está inscrita em uma operação teórica produzida no presente, [...] provém do passado, mas não está mais no passado quando é interrogada” (Ragazzini, 2001, p. 14).

Duby (1989, p. 161), aponta que é ofício do historiador tecer perguntas sobre o ser humano de hoje e “[...] tentar dar-lhes respostas tendo em conta o comportamento de nossa própria sociedade numa etapa anterior de sua duração. Para isso interpreto vestígios. Esses materiais chegam-me já tratados pela erudição e tenho de afiná-los ainda mais. Mas quando os manipulo tenho de respeitar algumas regras [...]”.

Analisar um jornal, uma fotografia, um ofício, um requerimento, um telegrama, uma carta, um processo ou qualquer outro vestígio exige a construção de um questionário para nortear a análise desta fonte:

1)  Sobre a produção do documento: Quem escreveu? A quem era destinado? Qual sua finalidade? Em que período foi escrito? Existe embates hegemônicos?

2) Processos internos: existe algum elemento que contribui para compreensão de seu significado (texto, imagem)?

3) Sobre a circulação: Onde foi encontrado? Que caminhos percorreu?

4) Aspectos materiais: material do documento? Existem silenciamentos no documento? Quais as impressões sobre o documento?

5) Sobre a preservação: existem marcas de uso que remetam a outros documentos? Por que foi preservado? 

Portanto, o rigor metodológico nos permite demonstrar que os construtos feitos após a análise dos documentos são dotados de integridade metodológica. Mais do que isso, possibilita a sistematização coerente para evidenciar os resultados, independente se eles confirmam ou refutam as hipóteses levantadas durante a construção da pesquisa.

Com a criação deste percurso metodológico podemos criar reflexões coerentes, verídicas e que fortalecem o método científico, além de combater o sistema de desinformação que vem roubando os holofotes da ciência e propagando fake news, negacionismos e demais imprecisões.

Referências

Duby, G. (1989). Diálogos sobre a nova história. Dom Quixote.

Le Goff, J. (1996). História e Memória. UNICAMP.

Ragazzini, D. (2001). Para quem e o que testemunham as fontes da História da Educação?

Educar, 18, 13-28.

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