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Opinião

Tudo começa na semente e na seleção da árvore matriz

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Roberto Ferron
Por Roberto Ferron
Foto Divulgação

No reino vegetal a semente tem a função de garantir a reprodução das espécies e a perpetuação destas sobre o Planeta Terra.  As sementes são “os filhos”, que carregam as características genéticas dos pais, dando continuidade à “raça”.

A reprodução da espécie florestal arbórea batizada de erva mate, cujo nome de registro cientifico é Ilex paraguariensis St. Hil se dá pelo cruzamento natural entre uma ou mais plantas macho com uma planta fêmea. É importante frisar que a espécie erva mate é uma planta dióica, ou seja, é uma planta que tem o sexo separado por individuo, produzindo separadamente flores masculinas e flores femininas em cada planta. O cruzamento entre plantas se dá através do pólen das flores da planta macho (estaminada) , que chega ao pistilo das flores  da planta fêmea (pistilada), levados por insetos, especialmente as moscas.

Normalmente, a descendência genética reproduz as características genotípicas (gens) e fenotípicas (características morfológicas = formato e tamanho das folhas, do tronco) dos “pais” -  árvores macho e fêmea. Isto é equivalente ao reino animal, inclusive humano. Como se diz, “o filho é a cara do pai”, ou “o nenê tem o olho igual do avô”. Há inúmeros programas de melhoramento genético animal e vegetal em curso, como o caso da “inseminação artificial do gado leiteiro”, “as novas variedades de soja colocadas no mercado anualmente”, “o surgimento das variedades de café com sabores diferenciados”, “as centenas de variedades novas de orquídeas”.

E no caso da erva mate, temos tudo por fazer, pois a cem anos, se fazia o “pioramento genético”. Ou seja, os viveiristas mal informados e sem conhecimento técnico ao produzirem mudas de erva mate, reproduzem a espécie sem levar em conta a origem da semente, ou se colhem, não escolhem árvores superiores, denominadas de porta semente ou árvore matriz, de ótima produção de folhas, com sabor do chimarrão conhecido. Entretanto, já temos boas novas no melhoramento genético da erva mate, e muitos viveiristas tem escolhido as árvores porta sementes ou arvores matrizes, que julgam serem plantas superiores.

Por incrível que pareça, o cultivo da erva mate iniciou com os Padres Jesuitas nos idos de 1.700.  Mas de certo modo ainda, por ser uma atividade extrativista – apenas colhemos o que a natureza nos disponibiliza.

Com a criação, organização e funcionamento do IBRAMATE – INSTITUTO BRASILEIRO DA ERVA MATE em 2013, com sede na cidade de Ilópolis-RS, foi criado um PROGRAMA DE MELHORAMENTO GENÉTICO DA ERVA MATE – O PROGERVA. O qual iniciou a identificação, registro e catalogação de arvores superiores nos cinco Polos Ervateiros do RS, para posterior análise laboratorial dos compostos químicos deste magnífico “cidadão vegetal” e em todas as regiões de sua ocorrência. E a ideia seria extrapolar estes estudos para as demais regiões produtoras do Brasil.

Estamos perdendo esta riqueza vegetal, este patrimônio genético, pela destruição dos ervais nativos, seja pelo desmatamento das florestas nativas ou pela poda exagerada, dita mutilação.

Entretanto, de nada adianta termos uma semente escolhida das melhores árvores matrizes, senão soubermos produzir uma muda de alto padrão de qualidade e sanidade. Estes fatores são essenciais e determinantes na produtividade dos ervais cultivados.

Para que possamos acabar com o “pioramento genético da erva mate”, temos que começar pelo marco zero, identificando, registrando e catalogando as árvores superiores. E posteriormente, pesquisando a composição química da folha, seja no seu aspecto nutricional e organoléptico (gosto e sabor).

A participação da EMBRAPA Florestas junto com o IBRAMATE na  criação e desenvolvimento do  PROGRAMA DE MELHORAMENTO GENÉTICO DA ERVA MATE-PROGERVA trará um grande avanço a cadeia produtiva.

Portanto, tudo começa na semente, mas antes de tudo vem as “árvores mãe e pai”. O registro destas árvores superiores é peça chave a reengenharia do complexo ervateiro.

 

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