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Opinião

Por uma História Pública

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Pensar, falar ou escrever profissionalmente sobre História é um desafio cada vez mais complexo em um cenário cujas interpretações/reinterpretações dos fatos históricos por leitores de grupos sociais distintos, nem sempre ambientado ao que se chama de mundo acadêmico tem se acentuado. Na verdade, considero essa inserção fundamental, todavia, é preciso ter cuidado com as fontes que produzem e espalham as apropriações sobre estes fatos históricos.

Por isso, uma das temáticas emergentes nos estudos historiográficos da última década, é a História Pública, que pode ser compreendida como “uma possibilidade não apenas de conservação e divulgação da história, mas de construção de um conhecimento pluridisciplinar atento aos processos sociais, às suas mudanças e tensões. Num esforço colaborativo, ela pode valorizar o passado além da academia; pode democratizar a história sem perder a seriedade ou o poder de análise. Nesse sentido, a história pública pode ser definida como um ato de ‘abrir portas e não de construir muros’, nas palavras de Benjamin Filene (ALMEIDA; ROVAI, 2012: p. 7).

Essa perspectiva nos leva a refletir sobre o papel dos Arquivos Históricos, por exemplo. Destaco aqui duas questões centrais: Os Arquivos Históricos compreendidos como espaço de salvaguarda da memória, de formação de sociabilidades e cidadanias; por conseguinte, um espaço não formal de educação; um espaço para a universalização e democratização do saber, combate a desinformação e as fake news. Questões debatidas em colunas, mas que ajudam a posicionar o Arquivo Histórico perante o cenário vigente.   

Para Silva (2016, p. 13) “Está em jogo não apenas uma reflexão sobre meios de divulgação de trabalhos acadêmicos, por meio de formas, narrativas ou linguagens com maior poder de alcance, considerando um universo diversificado de audiência; mas, também, uma inserção da pesquisa e do ensino da história no debate contemporâneo, destacando os efeitos que um texto ou aula de história podem adquirir em meio ao contexto social em que foi produzido e levado a público”.

A ideia de universalizar e acessibilizar a produção acadêmica ainda é um tabu em algumas áreas, mas é fundamental perante o cenário atual. A desinformação, os negacionismos, as fake news precisam ser combatidas. E isso só ocorre com o acesso à conhecimento científico. Precisamos construir pontes entre o que a academia chama de doxa (opinião) e episteme (ciência).

Referências

ALMEIDA. Juniele Rabêlo; ROVAI, Marta Gouveia de Oliveira (Orgs.). Introdução à História Pública. São Paulo: Letra e Voz, 2012.

SILVA, Daniel Pinha. Ampliação e veto ao debate público na escola: História Pública, ensino de História e o projeto “Escola sem partido”. Revista Transversos, v. 7, n. 7, p. 11-34, 2016.

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