Já mencionamos na matéria anterior que tudo começa na semente. E afirmamos que a essência de ganho em produtividade está diretamente ligada a escolha de mudas de alto padrão de qualidade e genética conhecida.
As pesquisas a campo do Engº. Agrônomo Ilvandro Barreto de Melo, extensionista da Emater realizadas em 1995, e as pesquisas que desenvolvi na Região do Alto Uruguai, mostraram que a maioria dos produtores não conhece o que é uma muda de qualidade. Os dados demonstraram que quando o produtor vai adquirir as mudas em um viveiro, ele observa diversos atributos, como:
- primeiro: 36% o tamanho da muda (entende-se mudas grandes);
- segundo: 21% o preço da muda (entende-se o menor preço);
- terceiro: 18% o tamanho da embalagem;
- quarto: 15% sistema radicular;
- quinto: 05% sanidade;
- sexto: 05% aclimatação ao sol;
- sétimo: 00% procedência das sementes.
Nesta relação comercial entre produtor e viveirista há de se destacar que a grande maioria dos viveiristas não tem maiores conhecimentos da silvicultura ou ciência florestal, e sequer recebem orientação técnica de profissionais capacitados e habilitados no ramo. Simplesmente, aprenderam colher sementes de uma planta que lhes exija poucos esforços, que forneça muitos frutos, e se possível, sem trepar no pé. Ou, juntam os frutos na boca da sapecadeira nas ervateiras.
É por isto que se confirma a máxima do Prof. Dílson Bisognin, responsável pelo Departamento de Fitotecnia, Melhoramento e Propagação Vegetativa de Plantas da UFSM – Universidade Federal de Santa Maria, de que estamos fazendo o “pioramento genético” da erva mate ha décadas. Vejamos o caso da erva mate batizada de “argentininha” ou “amarga”, cuja semente veio da Argentina, trazida por alguém de Venâncio Aires, cujas mudas foram vendidas em todas as regiões dos pólos produtores de erva mate, por ser uma planta vistosa, de um verde brilhoso, e de grande produção. O que aconteceu? Bem, mas esta história merece uma matéria especifica, que escreverei em breve.
A legislação especifica relativa a produção de sementes e mudas florestais – Lei Federal n10.711, de 05/08/2003, exige do produtor de mudas ou viveirista o registro do viveiro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária no Programa denominado RENASEM – Registro Nacional de Sementes e Mudas. Além, de cadastro na Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. E ainda, o registro junto ao CREA - Conselho Regional de Agricultura e Engenharia, com a apresentação do responsável técnico devidamente habilitado, podendo ser um Técnico Agrícola ou Florestal, Engenheiro Florestal ou Agrônomo. Ou ainda, um Biólogo. Esta exigência do R.T. – Responsável Técnico é justamente para aportar conhecimento técnico a atividade produtiva.
Ao comprarem mudas de erva mate, o produtor deve fazer as seguintes perguntas ao viveirista: 1º) Quais as árvores matrizes catalogadas para colheita da sementes¿; 2º) As sementes tem certificado de origem¿ 3º) Este viveiro que está totalmente regularizado nos órgãos de controle e fiscalização? 4º) E quem é o Responsável Técnico?
Caso as repostas sejam positivas, supostamente há mudas de qualidade e procedência conhecida. Lembrando que todos os certificados devem estar afixados em local visível e de fácil leitura.