Tradicionalmente a produção de mudas de erva mate ocorre em sacos plásticos em tamanhos variados, 8 x 10 cm, ou 10 x 20 cm. Mas, já tem muitos viveiristas produzindo no sistema de tubetes e bandejas plásticas. E recentemente, alguns iniciaram a produção em recipientes biodegradáveis acondicionados em caixas de madeira ou tubetes biodegradáveis. Quanto à qualidade produzida, há mudas de diversos matizes. Grande parte, são mudas de baixa qualidade e sanidade, pois não se observa na produção e comercialização a relação do tamanho da embalagem com o tamanho da muda, e nem a sanidade. Fatores estes, determinantes para o sucesso, ou seja, desenvolvimento a campo.
Também, deve-se observar que antes da produção da muda, vêm as sementes. E antes dessas, vem à escolha de árvores superiores, ditas árvores matrizes ou porta sementes, como bem mencionados nas matérias anteriores.
No RS, ainda não há qualquer árvore matriz catalogada e registrada, com exceção da variedade Cambona 4, de Machadinho. O princípio de tudo, para a melhoria dos ervais plantados esta na identificação, catalogação e registro de árvores matrizes, com a finalidade de se obter sementes de qualidade genética superior, e também, para se produzir mudas via propagação vegetiva (clonagem). O IBRAMATE iniciou um trabalho de garimpagem, identificação e catalogação de árvores matrizes junto aos viveiristas e mateicultores nos cinco polos ervateiros do RS. Mas, por falta de recursos do FUNDOMATE este trabalho mingou.
O reflexo do plantio de mudas de baixa qualidade e sanidade é o insucesso da cultura da erva mate. Pois, a planta com seu sistema radicular defeituoso (cachimbado e enovelado) ou com incidência de doenças fúngicas e pragas (como ampola, ácaros) terá grande dificuldade de se desenvolver, e quando ocorrer intempéries, como secas, geadas, ou a medida que os anos passam, definham e acabam morrendo. Temos dois agravantes: 1º) grande parte dos viveiristas desconhecem as técnicas adequadas para a produção de mudas de alta qualidade, sanidade, e genética conhecida; 2º) o outro, é que boa parte dos mateicultores, também não sabem o que é uma muda superior. As pesquisas a campo do Engº. Agrônomo Ilvandro Barreto de Melo, extensionista da Emater realizadas e as pesquisas que desenvolvidas na Região do Alto Uruguai, provam esta afirmativa. Os dados demonstraram que quando o produtor vai adquirir as mudas em um viveiro, ele observa diversos quesitos, como: 1º) 36% o tamanho da muda (entende-se mudas grandes); 2º) 21% o preço da muda (entende-se o menor preço); 3º) 18% o tamanho da embalagem; 4º) 15% o sistema radicular; 5º) 5% a sanidade; 6º) 5% a aclimatação ao sol; 7º) 0% a procedência das sementes.
Com base nos parâmetros identificados, conclui-se que o “tamanho da muda e preço”, respectivamente 36% e 21% (= 57%), são os itens que o mateicultor mais observa. Certamente, isto quer dizer “muda grande com menor preço”. O sistema radicular esta elencado como quarto item observado com 15%; a sanidade como quinto item com 5%; e a procedência da semente não era observada com 0%. Esta é a prova de que os agricultores, tanto quanto os viveiristas, desconhecem os fatores determinantes de uma muda de alto padrão de qualidade, sanidade e genética conhecida.
O Dr. Moacir Sales Medrado, pesquisador aposentado da Embrapa Florestas, e sua equipe de pesquisas, investigou e detectou que “35% das plantas de erva mate de um erval, produzem 50% da produção de folhas”. O que a pesquisa nos diz: 1º) que 65% das plantas produzem os outros 50% da produção; 2º) que temos 35% de plantas superiores em um erval, e que as restantes 65% das demais plantas são consideradas médias ou inferiores. E a razão esta intrinsecamente ligada a sua qualidade e procedência da semente.
Não há mais tempo a perder! As questões relativas ao melhoramento genético e produção de mudas de erva mate de alta qualidade, sanidade e genética superior são as premissas básicas para a evolução da Cadeia Produtiva da Erva Mate. É o início de tudo!