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Opinião

Alemanha- Terra de Origens- (Parte I)

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

“Gente ordeira, pacífica, trazendo da pátria originária as noções de uma disciplina que foi, em todos os tempos, o penhor da grandeza, o alemão, veio continuar, aqui, as suas tradições inigualáveis de trabalho orgânico” (Aurélio Porto).

Reminiscências

A propriedade individual, na Alemanha do século XIX, não trouxe, de início, o progresso material, mas se caracterizou durante decênios por um depauperamento geral. Sobrevieram anos de colheita fracassada, o gado era dizimado por doenças e os trigais atacados de ferrugem. As propriedades eram parceladas cada vez mais entre os herdeiros, com todas as consequências danosas do minifúndio. O latifúndio, durante a nobreza, não ajudara as populações. A situação social do povo era cada vez mais agravada. Há 198 anos aportaram os primeiros imigrantes, aqui no sul, vindos da Alemanha. Não é difícil avaliar o que esse gesto representou para aqueles pioneiros. “Es ist nicht schwer, sich auszumalen, was diese Pioniere mit ihrem Unternehmen auf sich genommen hatten”.

Crise Medieval

O povo pedia no século XIV: “Senhor, livre-nos da peste, da fome e da guerra”. A região rural se mostrava enfraquecida em consequência do aumento populacional, quando a pouca colheita do ano 1317 ao 1319 provocou a fome. A população tornou-se vulnerável a epidemias e, principalmente, à peste bubônica que devastou a Europa entre 1347 e 1351. - A Peste Bubônica era transmitida por pulgas a pequenos animais e, estes, aos humanos - A morte de cerca de um terço da população europeia contribuiu para uma crise religiosa e social.  

Crise Religiosa

A autoridade da Igreja começou a ser questionada por rixas internas e corrupção, o que levou o Papa Clemente V, natural da França, a transferir o pontificado de Roma para Avignon, na França. A decisão em 1378 foi a de retornar a Roma. Isso teve como consequência o período denominado Grande Cisma, com papas rivais: um em Avignon e outro em Roma.

Primeira Bíblia Impressa

Em 1455 surgiu a primeira edição de uma Bíblia impressa em Mainz, na Alemanha. Foi um trabalho de Johann Gutemberg. Foram 15 anos de dedicação secreta para conseguir o resultado, que foi também o primeiro livro impresso na Europa. Gutemberg moldava, individualmente, as letras em metal e juntas tornavam-se palavras. Depois eram fragmentadas e reutilizadas.                    

Antes, todos os livros eram copiados a mão, um por um, principalmente pelos frades nos conventos. A invenção permitiu que o conhecimento deixasse s Igreja para entrar nas novas universidades.

A Reforma

No início do século XVI, a queda do prestígio da Igreja era cada vez mais evidente. O que mais contribuiu foi a venda de indulgências, prática pela qual se prometia o perdão de pecados em troca de pagamento. Na Alemanha, o teólogo Martinho Lutero, que viveu de 1483 a 1546, descontente, recorreu às escrituras do Novo Testamento para formular sua própria doutrina. A campanha de Lutero pela reforma da Igreja encontrou apoio na Alemanha. Mas, a excomunhão de Lutero pelo Papa em 1521 polarizou as divisões emergentes na Igreja. Surgia, assim, a Igreja Protestante.    

Lutero e Calvino

Em 1536, o teólogo João Calvino, um francês, que viveu de 1509 a 1564, começou a disseminar sua própria versão do protestantismo. Como Lutero, rejeitava a autoridade do Papa. Defendia a doutrina da predestinação, segundo a qual a salvação dos indivíduos já havia sido determinada por Deus. Seus ensinamentos logo se tornaram populares na França, na Holanda e em outros países. Isso motivou discórdia religiosa.

Os choques doutrinários que ocorreram entre Martinho Lutero e o teólogo Calvino dividiram, em vários ramos, a emergente Igreja Protestante.

Chegada da Indústria

A Europa passava por uma transformação econômica e social. A Revolução Industrial havia começado na Inglaterra e chegou na Alemanha em 1850. A maquinaria era capaz de produzir bens em maior velocidade do que um artesão individual.  Eram movidas primeiro a água e, depois, a vapor. O desenvolvimento do engenho a vapor permitiu que as máquinas pudessem ser agrupadas em fábricas e funcionarem dia e noite. Isso resultou a produção de produtos em massa a um preço mais baixo e em grandes quantidades.

Indústria da Tecelagem

O primeiro setor a ser transformado foi o têxtil. Surgiu a máquina de fiação e tecelagem. A inovação logo se espalhou. Os produtos tradicionais de artesanato foram logo convertidos para métodos industrializados. O resultado foi o de muita mão de obra desvalorizada. Surgiu uma grande classe operária que trabalhava durante longas horas e em condições humilhantes, recebendo salários que mal permitiam comprar pão.

Conclusão

O rápido progresso tecnológico da Revolução Industrial garantiu um mundo que rumou para a modernidade. O progresso também fez com que o trabalho fosse sempre extenuante nas indústrias. Os trabalhadores saíam do campo para as cidades superpovoadas e sem saneamento. O ressentimento aumentou e os distúrbios eram frequentes. As greves e rebeliões eram sempre reprimidas com selvageria.

 Fatores como safras insuficientes, desigualdade social, insatisfação com os regimes conservadores das novas monarquias e ideias socialistas criou uma atmosfera inflamável em toda a Europa. Um levantamento feito nas décadas de 1880 e 1890 revelou que quase um terço das populações vivia em extrema pobreza.

No final do século XIX, a luta dos trabalhadores por melhores condições foi canalizada de maneira crescente para o movimento sindical.

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