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Cultura

Recanto da Tradição: espaço em que gerações se encontram

O museu que guarda mais de 3 mil peças, fica localizado na Rua Basílio Anzanello, nº 46 em Erechim

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Museu recanto da tradição, guarda peças vinda da Alemanha, Itália e Rússia.
Museu recanto da tradição, guarda peças vinda da Alemanha, Itália e Rússia.
Por Andressa Thomaz
Foto Andressa Thomaz

E quem nunca ouviu, ou já falou a seguinte frase, “O tempo não passa, ele voa!” É! grande parte da população já se identificou com essa frase em algum momento da vida. Isso tudo porque, estamos ligados no 220w quando se trata de trabalho. Poucas pessoas criam uma rotina para cuidar de si mesmo. Assim, consequentemente guardar bons momentos passam despercebidos, e fogem da realidade.

Bons momentos! Recordações. Lembranças. Histórias. Em meio ao grande centro urbano de Erechim, vive o senhor Ervino Hartmann, que ao longo dos anos, fez com que seu sonho saísse da imaginação, e literalmente, ganhasse um espaço no quintal da sua casa. Não foi um sonho muito fácil. Na verdade, nada fácil. Mas tem um ditado popular, bem conhecido que diz assim, ‘de grão em grão, a galinha enche o papo’, assim foi com o sonho do seu ‘Falcão’, como é conhecido por muitos. Do sonho, ele fez o “Recanto da Tradição”. Há quem diga ser um museu, mas, prefiro dizer que aqui, é o espaço em que as gerações estão reunidas.

O Recanto da Tradição

Desde a sua juventude, Ervino tinha o desejo de colecionar peças antigas. Mas por questão de tempo, na época esse sonho não tinha como ser realizado. Com o passar dos anos, casado e com filhos, ele prometeu a si mesmo que quando se aposentasse iria construir seu espaço para colecionar os itens, ou melhor, as histórias. “Eu tinha um sonho. O dia que me aposentasse faria o meu recanto. Um lugarzinho para poder guardar essas relíquias do passado, para deixar alguma lembrança quando partir, isso porque aqui, tem peças de 200 anos”, afirma o colecionador.

Atualmente, no Recanto da Tradição, seu Ervino possui mais de 3 mil peças. Entre elas, estão os rádios, máquinas agrícolas, de escrever, assim como as de costura. Além disso, existem vitrolas, violões, violinos e tantos outros expostos pelo espaço. Grande parte são objetos vindos de outros países, como Itália, Alemanha, e até mesmo da Rússia.  Mas claro, há no espaço a matriarca, a peça mais antiga, - à jorna, com 200 anos. Segundo seu Falcão, essa peça era usada pelos imigrantes quando precisavam moer o milho, que colhiam em suas plantações. “Plantavam e moíam depois na jorna. O milho que era moído, depois era peneirado, e era feita a polenta”, explica.

A construção

Depois de 11 anos, todo esforço teve bons resultados. E olha, muito esforço.  Grande parte do espaço foi construída pelo seu Ervino, junto com sua esposa Fátima. Até as mesas, que sustentam alguns objetos, foram feitas pelo colecionador. E quando questionado de quanto tempo levava para produzir um, ele logo responde, “Coisa simples, questão de um dia”. É claro que histórias sempre devem ser muito bem contadas, e claro, guardadas. Para seu Falcão, houveram muitas dificuldades, até mesmo dos filhos, que não davam a mínima para tudo. “No início, ninguém dava valor. Quando começamos, meus filhos falaram, ‘o pai está louco, não vamos levar nossos amigos para ver essas coisas velhas. Credo que coisa feia’. Hoje, não! Eles sabem e perceberam o valor, que todos esses itens possuem. Foi um sonho maluco que eu tive!”, conclui.

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