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Rural

Fetraf-RS alerta para expressiva crise no setor leiteiro

Declaração à sociedade foi divulgada em documento publicado nesta semana

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Atividade é uma das principais alternativas de renda de muitos produtores da região
Por Izabel Seehaber
Foto Divulgação

Na quarta-feira (14), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande Do Sul (Fetraf-RS) divulgou uma nota em que alerta a sociedade gaúcha para a grave crise vivenciada no setor leiteiro. Conforme o documento, a situação foi agravada pela drástica queda no preço praticado neste último mês, chegando em muitos casos a mais de 30% de redução nos valores pagos aos agricultores, percentual que pode trazer consequências estruturais para a atividade no estado, com impactos na produção, renda, postos de trabalho, afetando a dinâmica econômica de muitos municípios do interior.

Em se tratando do Alto Uruguai, o coordenador geral da Fetraf-RS, Douglas Cenci, afirma que, só pelo fato de que a produção de leite é a principal alternativa de sobrevivência da maioria dos agricultores, essa instabilidade e dificuldade de permanecer no setor podem levar a problemas sérios para a economia da região, em especial aos pequenos municípios. “Na parte da produção, há fatores que impactaram muito nos últimos tempos. O custo aumentou de forma significativa, corroendo as margens de ganho dos produtores. Para alguns, a atividade se tornou de alto risco e até inviável. Houve, ainda, alta dos insumos para todas as atividades agropecuárias e o Brasil tem alta dependência de insumos importados, aspecto que também leva a impactos”, reiterou, ao acrescentar que, da mesma forma, a seca na Safra de verão 2021/2022 que atingiu o Rio Grande do Sul, afetou as pastagens, a produção de milho e a disponibilidade de água para os animais. “Da parte da demanda, a crise social e econômica, com alta inflação de preços ao consumidor e outras questões, faz com que a população urbana reduza ou deixe de consumir produtos lácteos”, acrescentou Douglas.

Sobre o repasse de valores

Na avaliação do coordenador geral da Fetraf-RS, a produção e o consumo precisam evoluir juntos. Ele pontua que nos últimos meses foi percebido um aumento abusivo no preço do leite para o consumidor nos estabelecimentos comerciais, sendo que estes valores não foram repassados aos agricultores na mesma proporção, e ao primeiro sinal de queda de preços no mercado, os agricultores se deparam com a maior redução de preço da história do setor aos produtores. “Esse é mais um período difícil para o setor. As sucessivas crises podem colocar em risco a continuidade da atividade em muitas propriedades, agravando a conjuntura”, afirma.

Indicadores de relatório

Dados do Relatório da Cadeira Produtiva de Leite de 2021, publicado pela Emater/RS, apontam que, entre 2015 e 2021, houve uma redução de 52,28% de produtores vinculados às indústrias, o que equivale a 44 mil produtores a menos na atividade. No mesmo período, houve redução de 25,94% no número de animais – o que representa 304.704 vacas leiteiras a menos.

Ações

A Fetraf defende ações dos governos estadual e federal, de apoio e estímulo à atividade leiteira, e avalia que são necessárias iniciativas voltadas à aquisição da produção e implementação de mecanismos públicos de regulação para que essa importante atividade da agricultura familiar não fique na dependência exclusiva do mercado. “Acompanhamos a situação, conversamos com produtores, sindicatos e cooperativas, observando com preocupação essa conjuntura. Trata-se de uma atividade de alta relevância social e econômica para o Rio Grande do Sul, que deve ter política pública de apoio à produção, comercialização, agroindustrialização e abastecimento, articuladas com a segurança alimentar”, comenta Douglas ao salientar que a Federação busca confirmar agendas, juntamente com outras entidades, no governo federal e estadual, para discutir a situação e reivindicar ações para reverter o quadro.

 

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