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Opinião

Reminiscências do show sem data de Erechim

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Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Nos artigos de 05, 06 e 07; 12, 13 e 14 e 19, 20, 21 de junho de 2021 escrevi acerca da construção da musicalidade em Erechim, abordando as primeiras bandas e a música clássica na cidade, depois o rock e por fim a música tradicionalista. E, em uma das costumeiras conversas com o cicerone do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font o professor e memorialista Enori Chiaparini, em que eu expunha minhas (ou falta de) ideias sobre o que escrever para a coluna, ele solta “escreva sobre o Show do Terço no inverno de 1978”.

De acordo com Szuchmann, Tiepo (2015, p. 03) “O Terço iniciou sua estrada no final da década de 60 no Rio de Janeiro e sua formação inicial contava com Sérgio Hinds (baixo); Jorge Amiden (guitarra), e Vinícius Cantuária (bateria). Ao longo dos anos a formação sofreu alterações e nos álbuns Criaturas da Noite (1975) e Casa Encantada (1976) a banda teve sua formação mais consagrada: Sérgio Hinds (guitarra), Flávio Venturini (teclado), Sérgio Magrão (baixo) e Luís Moreno (bateria). Nessa fase, O Terço já era considerado um dos mais populares grupos de rock do país”.

Este show é um dos exemplos da construção de uma memória individual que interpela a produção de uma memória coletiva. Cada um dos espectadores possui elementos particulares para a construção do que foi o show d’ O Terço no inverno de 1978. E, ao contrário do Show do Casa das Máquinas no ano anterior, que chocou a cidade devido às baterias elétricas, roupas e um volume acima do “habitual”, este show chamou atenção pelas luzes e pela técnica dos musicistas.

Cabe aqui, trazermos outro fragmento de Szuchmann, Tiepo (2015) que relata um período conturbado da banda, repleto de desgastes devido a quantidade significativa de shows que realizavam durante o ano (levando em consideração que o conforto para viagens cresceu nas últimas décadas):

E apontam ainda que “é nesse período conturbado da banda que ocorre o show em Erechim. A data exata do show foi esquecida e permanece um mistério, pois através de relatos dos que estavam presentes no show não é possível chegar em um resultado conclusivo. Não saíram notas sobre o show no periódico da cidade e a Paróquia São Pedro que era a responsável pela locação do ginásio se desfez dos registros. O hotel onde os músicos se hospedaram também não soube informar a data. O possível responsável por contratar o show e trazer O Terço para Erechim faleceu pouco tempo após o resgate da fita na qual o show foi gravado” (SZUCHMANN, TIEPO, 2015, p. 07).

Ou seja, ocorreu um silenciamento parcial de um fato. Isso demonstra a importância de se preservar as informações por meio da coleta e guarda de documentos. A preservação de uma memória ajuda a compreender as formas que a narrativa oficial assumiu e os caminhos que percorreu para consolidar-se. O caso deste show em específico, temos elementos que ajudam a reconstituir esta trajetória, mas com lacunas.

Referências

SZUCHMAN, Daniel de Almeida; TIEPO, Celina. O Terço em Erechim. II Encontro Internacional de Estudos do Rock, Cascavel, p. 1-17, maio 2015.

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