A falta de chuva tem causado graves prejuízos na agricultura da região do Alto Uruguai gaúcho nos últimos anos. A cada novo ciclo que inicia os produtores rurais acabam recebendo de herança, as consequências do período anterior, frustrando as expectativas de escrever uma história em que o fim seja de prosperidade.
Em Erechim não é diferente. Conforme explica o secretário adjunto da pasta de Agricultura, o homem do campo mal se recupera de uma perda para enfrentar a outra. “Os problemas são muitos. Com a falta de água todos os processos acabam sendo prejudicados. A estiagem prolongada está trazendo danos gravíssimos”, revela Lindomar Kossmann.
O Brasil é um grande produtor e exportador de milho, porém, nas condições atuais em que se encontra, corre o risco de perder esse legado. “Temos dados da Emater RS/Ascar onde a estatística dos dias atuais está em torno de 50% de perdas na lavoura de milho. Essa produção não será suficiente para atender a demanda dos agricultores da região e isso ocasiona um aumento nos preços, com consequências sérias para a bovinocultura leiteira, suinocultura, avicultura e toda essa cadeia de carnes”, explica.
Silagem
A silagem é a principal substância de alimentação da pecuária. Com a diminuição da matéria prima, a qualidade também diminuirá e existem agricultores que não terão armazenagem suficiente para o ano, segundo Lindomar. “Com isso a produção de leite vai cair e o produtor terá que comprar milho de fora, buscando outros estados ou até mesmo países, com custo elevado”.
Programa Porteira Adentro
No ano passado o Executivo Municipal de Erechim lançou o Programa Porteira Adentro, integrando o Investe + Erechim, destinando R$ 200 mil em recursos. A iniciativa consiste na compra e destinação de milho aos pequenos produtores de leite e subsistência para alimentação dos animais. “Nesse processo após a inscrição dos agricultores, foi realizado em parceria com a Emater um estudo das famílias que se enquadravam nos pré-requisitos e quantidade de animais que cada uma possuía. Tenho conversado com vários produtores que declaram como a medida veio em boa hora”, saliente Kossmann.
Estiagem
No momento atual 40 famílias erechinenses da zona rural estão recebendo abastecimento de água. “Dia após dia a demanda vem aumentando. Quem precisa de água no interior deve ligar na Defesa Civil, no 199, para a equipe fazer o agendamento com um dia de antecedência. É uma questão de programação que atende várias áreas. Essa água que está sendo levada é de qualidade e tratada para consumo humano”.
Plano B
Segundo Lindomar é importante arquitetar iniciativas que consistam na prevenção em períodos de seca. “Estamos dando sequência às fontes drenadas e pedimos para a comunidade que tente economizar água o máximo possível, além de preservar as vertentes para não piorar a situação. Trabalhamos em um projeto de duas cisternas modelos na cidade, para ver o valor de custo e quanto pode nos beneficiar. Precisamos partir para um plano B o quanto antes”, pontua.
Aumento nos preços e diminuição no fluxo do comércio
Infelizmente o secretário sinaliza a diminuição no fluxo do comércio, causada pela falta de recursos financeiros da população. “Com o preço dos alimentos subindo, a população local e regional que frequenta o nosso comércio, vai diminuir. A estiagem provoca alterações em todas as áreas relacionadas a circulação de dinheiro. Quem mora na cidade também vai pagar o preço. Nos resta aguardar a chuva sem previsão, apenas localizadas que não resolvem o problema e aumentam os prejuízos”, finaliza Lindomar.