Em uma conversa despretensiosa no Arquivo Histórico com o amigo historiador Rodrigo, falávamos entre outras coisas, de figuras que marcaram a história local sem necessariamente ter ocupado um cargo político. Quando ele citou determinada figura, eu indaguei de pronto: seria ele o Chalaça bota amarela?
Primeiramente, situo quem foi o Chalaça, figura que foi retratada na obra Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, O Chalaça, de José Roberto Torero, que apresenta de maneira bem-humorada os acontecimentos no Brasil imperial na metade do século XIX.
O período que a obra exprime e deixa transparecer a ‘atuação” do Chalaça, começa com a vinda da Coroa Portuguesa para o Brasil saindo de Portugal em novembro de 1807 e aportando em Salvador em janeiro de 1908. Nelson Werneck Sodré em sua obra Razões da Independência afere que a mudança ocorreu devido ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão Bonaparte imperador francês a todos que se mantinham fieis aos velhos acordos econômicos e políticos com a Inglaterra. Esta movimentação da corte portuguesa buscou evitar indisposições com algum dos lados envolvido na escaramuça. Em tese, qualquer outra decisão acarretaria o desmoronamento do sistema colonial português.
Aqui aparece a primeira vez a figura de Francisco Gomes da Silva, nascido em 1791 e filho bastardo do Visconde de Vila Nova da Rainha, que pagou uma quantia e arrumou um emprego como ourives na Casa Real para que Antônio Gomes da Silva assumisse a paternidade de Francisco, então com oito anos. Período em que fora também encaminhado para um Seminário de Santarém para estudar Filosofia e Latim (tornou-se fluente em francês, inglês, italiano e espanhol). Prestes a ser ordenado sacerdote com cerca de 18 anos, brigou com os professores do seminário e rumou à Lisboa para participar dos acontecimentos. Durante este percurso foi preso como espião por tropas francesas, mas escapou e foi ao encontro de seu pai adotivo nos preparativos para a viagem.
Já no Brasil, teve uma vida de boemia e brigas, 1810 seu nome foi incluído na lista dos criados honorários do Paço. Se tornou um dos prediletos de Dom João VI e posteriormente de do Príncipe Dom Pedro (companheiros de vida noturna. Chegou a ser responsável pela “discreta vigilância” de Carlota Joaquina, que se tornou sua inimiga, responsável pela denúncia em 1817 que acarretou sua expulsão da corte. Voltaria a ser criado de Dom Pedro I no período de tensões que culminou no Dia do Fico.
Em Erechim, algumas figuras têm papel similar ao do Chalaça. Esta em especial que rememoramos naquela conversa, esteve presente em momentos marcantes da história local, que determinaram os rumos que a cidade tomou. Optamos por uma descrição genérica dos fatos, para não entregar o nome da figura. Aos leitores, uma reflexão para descobrir quem fez o papel de Chalaça na vida política da Capital da Amizade.
Referências
TORERO, José Roberto. Galantes memórias e admiráveis aventuras do virtuoso conselheiro Gomes, O Chalaça. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
SODRÉ, Nelson Werneck. As razões da independência. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.