21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Educação, Ensino de História e Arquivos (II)

teste
Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Na última segunda feira iniciei meu estágio em docência do Doutorado em História da UPF na disciplina de Laboratório de Ensino e Pesquisa em História I ministrada pelo prof. Dr. Marcos Gerhardt. E, a temática perpassou pela compreensão dos Arquivos Históricos como ferramenta de ensino aprendizagem. Tema que já fora debatido nesta coluna em quatro partes intituladas “Contribuições dos Arquivos Históricos para o ensino de História”.

O primeiro elemento que a turma teve contato foi a reflexão sobre a constituição de um Acervo, e como podemos compreender o espaço que ele ocupa. Sua materialidade é refletida no tipo de edifício que é alocado, se é próprio, alugado, histórico, adaptado ou construído especificamente para esse propósito. Pressupondo que “diversos planos temporais em que as pessoas se movimentam, os acontecimentos se desenrolam e os pensamentos de duração mais longa são investigados” (KOSELLECK, 2014, p. 19).

Sob a perspectiva de Ketelaar (2018, p. 198), em que “os Arquivos não nos levam até ao passado: preservam o presente para o futuro, ao transmitirem testemunhos e experiências autênticas da atividade humana através dos tempos”. Trabalhamos com o Mentimeter para construir um apanhado da perspectiva da turma sobre este conceito, e quais suas noções. E depois analisamos um mapa mental sobre o que é um Arquivo Histórico. Para depois, começarmos a discutir formas de acessar fontes históricas e como utilizá-las enquanto linguagem de ensino-aprendizagem em história.

A complexidade desta proposta se dá, assim como nas visitas guiadas ao Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, quando ocorre a ruptura do tradicionalmente visto / lido / ouvido. Questionar um determinado processo, apresentar um olhar diferente sobre determinado acontecimento é tirar os ouvintes da zona de conforto, e, atualmente, racionalizar dói.

Dito isto, empreender uma reflexão sobre a constituição de um determinado acervo, a linha editorial de um periódico ou o próprio tempo histórico de um acontecimento (sem cair em relativismos) nos leva a problematizar nossa relação com o tempo, o espaço e o outro.

Só assim, o papel de ambiente não formal de educação do Arquivo Histórico se reafirma e nos fornece escopo para trabalhar com as narrativas, com os documentos e principalmente compreender que os processos históricos não são aleatórios.

Referências

KETELAAR, Eric. (Des)construir o arquivo. In: HEYMANN, Luciana; NEDEL, Letícia (org.). Pensar os arquivos: uma antologia. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2018.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006

Publicidade

Blog dos Colunistas

;