Na última segunda feira iniciei meu estágio em docência do Doutorado em História da UPF na disciplina de Laboratório de Ensino e Pesquisa em História I ministrada pelo prof. Dr. Marcos Gerhardt. E, a temática perpassou pela compreensão dos Arquivos Históricos como ferramenta de ensino aprendizagem. Tema que já fora debatido nesta coluna em quatro partes intituladas “Contribuições dos Arquivos Históricos para o ensino de História”.
O primeiro elemento que a turma teve contato foi a reflexão sobre a constituição de um Acervo, e como podemos compreender o espaço que ele ocupa. Sua materialidade é refletida no tipo de edifício que é alocado, se é próprio, alugado, histórico, adaptado ou construído especificamente para esse propósito. Pressupondo que “diversos planos temporais em que as pessoas se movimentam, os acontecimentos se desenrolam e os pensamentos de duração mais longa são investigados” (KOSELLECK, 2014, p. 19).
Sob a perspectiva de Ketelaar (2018, p. 198), em que “os Arquivos não nos levam até ao passado: preservam o presente para o futuro, ao transmitirem testemunhos e experiências autênticas da atividade humana através dos tempos”. Trabalhamos com o Mentimeter para construir um apanhado da perspectiva da turma sobre este conceito, e quais suas noções. E depois analisamos um mapa mental sobre o que é um Arquivo Histórico. Para depois, começarmos a discutir formas de acessar fontes históricas e como utilizá-las enquanto linguagem de ensino-aprendizagem em história.
A complexidade desta proposta se dá, assim como nas visitas guiadas ao Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, quando ocorre a ruptura do tradicionalmente visto / lido / ouvido. Questionar um determinado processo, apresentar um olhar diferente sobre determinado acontecimento é tirar os ouvintes da zona de conforto, e, atualmente, racionalizar dói.
Dito isto, empreender uma reflexão sobre a constituição de um determinado acervo, a linha editorial de um periódico ou o próprio tempo histórico de um acontecimento (sem cair em relativismos) nos leva a problematizar nossa relação com o tempo, o espaço e o outro.
Só assim, o papel de ambiente não formal de educação do Arquivo Histórico se reafirma e nos fornece escopo para trabalhar com as narrativas, com os documentos e principalmente compreender que os processos históricos não são aleatórios.
Referências
KETELAAR, Eric. (Des)construir o arquivo. In: HEYMANN, Luciana; NEDEL, Letícia (org.). Pensar os arquivos: uma antologia. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2018.
KOSELLECK, Reinhart. Futuro Passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006