Artigo Laura Ribeiro Vozniak
Psicóloga Clínica e especialista em Oncologia
CRP 07/32139
Para responder a essa pergunta, é importante refletirmos sobre os papéis que cada um tem em nossas vidas. A família, enquanto nosso primeiro meio social e de formação de vínculos afetivos, desempenha a função de cuidar, nos ensinar valores e costumes, transmitindo ensinamentos acerca de nossa educação e os modos de estar no mundo.
À medida em que crescemos, vamos estabelecendo outros tipos de relações sociais que nos possibilitam a escolha de interesses em comum, de trocas boas ou não tão agradáveis assim, além de propiciar a experiência de conhecermos as diversas maneiras sobre como nos sentimos a respeito do outro – e também o que despertamos nele.
Ao buscar por uma ajuda especializada, é fundamental saber que o profissional psicólogo escuta você. Sem julgamentos, sem preconceitos, sem querer inserir uma opinião ou um conselho em meio a um sofrimento que foi difícil de ser compartilhado. Trata-se de uma escuta atenta à sua história e, principalmente, ao que não se encaixa. O que parece não fazer sentido para você, é muito importante para nós. Tudo aquilo que você não consegue explicar muito bem, o que não entende ou até mesmo aquilo que sente vergonha de dizer. Enquanto outras pessoas escutam o que você diz, o profissional psicólogo busca escutar para além daquilo que se manifesta. Aquilo que não é tão óbvio assim. Nem explícito. O que não conseguimos mudar com a "força do pensamento" ou com um simples conselho – ainda que a intenção seja boa, quando eu aconselho o que penso, estou falando mais sobre mim e minhas vivências do que sobre a experiência singular daquele que me conta. Não se faz escuta com conselhos, se faz com a possibilidade de troca.
A escuta sensível e qualificada de um profissional psi é capaz de abrir espaços para novas narrativas, maneiras de ver e de viver a vida. Embora a psicoterapia (e nenhuma outra ferramenta de cuidado) não seja capaz de apagar o que foi doloroso e difícil de enfrentar, ela favorece a construção de uma nova relação consigo mesmo e com aquilo que ficou permitindo um caminho mais leve e saudável. Vamos criar novos caminhos?