Nas últimas semanas temos nos debruçado sobre as relações entre ensino de História e Arquivos, perpassando pelo seu impacto na construção da educação brasileira. Um tema que acaba ganhando tons de complexidade devido ao cenário brasileiro da última década, que se caracterizou pelo sistemático ataque as ciências, a educação e aos professores, principalmente os da área das Ciências Humanas.
Debater com teóricos da UniWhatsApp, da UniTwitter e da UniFacebook é no mínimo um exercício de paciência. O conhecimento científico fruto do método é questionado. Os ossos de Descartes devem estremecer.
Afora isso, pensar em uma educação e em um ensino de história que seja emancipatório exige a compreensão de teorias educacionais, que via de regra foram estudados, implantados e aperfeiçoados e estão inacabados. Compreender isto é difícil. Ainda mais quando se deposita na conta da educação inclusive os problemas que não competem à área. É cada vez mais comum a transferência da responsabilidade pela educação das crianças para as escolas e para as telas.
O Cogito ergo sum (Penso; logo, existo) de Descartes foi distorcido. Hoje, pensar é difícil, é mais simples repostar, compartilhar e espalhar informações que aquele guru da internet leu de alguém, que leu a interpretação de outra pessoa sobre aquilo que ela acha que um determinado autor aparentemente falou.
Assim, o trabalho dos ambientes formais de educação e dos informais (como o Arquivo Histórico) fica prejudicado. Nesta era da pós-verdade ser profissional da área da educação é um ato de resistência e de desprendimento à sua saúde mental.
Pensar criticamente, sem cair em extremismos deveria ser uma das competências desenvolvidas na escola. Compreender o que é certo e o que é errado deve vir de casa e não das telas. Pesquisar sobre determinado assunto pode ser feito nas plataformas digitais, mas nem tudo está lá. É por isso que os Arquivos Históricos ainda resistem.
O acervo deste Arquivo Histórico e da maioria dos Arquivos Brasileiros ainda se encontra acondicionado fisicamente. Os Arquivos têm a função social de preservar a memória / a história / as narrativas dos grupos sociais, para que esta e outras gerações possam acessar, interpretar e apresentar suas considerações a respeito de determinado assunto.
Pesquisar é sério, demanda leitura, cuidado com o tratamento das fontes e o respeito a sua fidedignidade.