Memórias de Viagem
Japão- Tóquio
Tóquio é a capital. Na corrida para a modernidade, a cidade engoliu várias aldeias e se estende por cerca de 50km de leste para oeste. Não se expandiu ainda mais por causa dos Alpes Japoneses, de um lado, e do mar, do outro. Mas o mar não impediu totalmente o crescimento da cidade, pois várias ilhas artificiais foram construídas na baía de Tóquio. Nessas áreas se instalou a indústria pesada, mas hoje elas abrigam empresas de alta tecnologia e centros comerciais. O aeroporto fica numa ilha a 60km do centro da cidade. Os visitantes têm a opção de viajar de metrô, de trem elevado ou de táxi, por uma série de pontes, vias expressas e viadutos que levam diretamente ao coração da cidade.
Viagem no tempo
O centro da cidade começou como uma pequena aldeia de pescadores chamada Edo. Tornou-se importante a partir do século XVII, quando de Kyoto, sua antiga capital foi transferida para Edo e passou a chamar-se Tóquio- a capital do leste. Velhos monumentos e pequenas aldeias foram desaparecendo para dar lugar ao moderno.
Tóquio de hoje
As largas avenidas com os ruídos do seu organizado trânsito e as imponentes torres de vidro e aço não são a verdadeira Tóquio. Esta guarda ainda uma outra cidade. As aldeias desaparecidas durante a rápida expansão da cidade deixaram suas marcas em diferentes bairros. Ainda é possível encontrar templos, santuários e casas tradicionais de madeira não muito longe das construções modernas. A parte nordeste da cidade ainda conserva algumas das características do antigo Japão e são verdadeiras joias de arte.
Templo Budista Senso-Ji
Fica em Asakusa numa das antigas aldeias. É famoso pelo portão vermelho de laca- a Porta do Tesouro- ricamente trabalhada em ouro. Não foi possível entrar, mas passamos a mão numa das grandes argolas douradas para nossos desejos se concretizarem. Foi fundado no século VII para abrigar uma estátua de ouro de Kannon- a deusa da misericórdia- que foi encontrada, por acaso, nas redes de dois pescadores. Para chegar ao templo os monges, para culto à deusa, necessitam passar diante de cinemas baratos e lugares de “strip-tease”. Um enorme queimador de incensos está na área externa e um ritual é feito com a fumaça dos incensos. Participamos desse rito onde são exigidos concentração e silêncio. A fumaça vai subindo, subindo, levando os nossos pedidos. O local é centro de uma das maiores e populares peregrinações e festivais. As pessoas vão em busca de boas energias e saúde.
Nakamise-Dori
O templo Senso-ji é cercado por um bosque e belos jardins com fontes. Através de um portão chega-se a Nakamise-Dori, uma rua popular. É um verdadeiro “shopping” com muitas lojas, bares e restaurantes com comida típica. Muitos “kimonos” e objetos de todos os tipos da tradicional cultura japonesa. Também é possível comprar biscoitos feitos na hora, quentinhos. Lugar muito agradável e até com degustação de chá. Ofereciam copos com diversos sabores...
Palácio Imperial
Está protegido por fossos e altos muros, entre jardins, no coração da cidade. Parte dos jardins está aberta ao público, mas o palácio não. É a residência do Imperador. A família real japonesa renunciou à divindade e perdeu parte do poder político depois que o país foi derrotado na Segunda Guerra Mundial. O Imperador Hirohito, na época, anunciou, pelo rádio, a rendição do Japão em 1945. Mas falou numa linguagem arcaica, refinada, que era desconhecida da maioria dos súditos. Propositalmente, quase ninguém entendeu e ficou a dúvida se ele aceitou a derrota ou não. Ele era um imperador japonês em linhagem direta, o centésimo vigésimo quarto. Morreu em 1989. Era uma figura inacessível, geralmente fotografado de uniforme, montando um cavalo branco. Nas escolas, os estudantes tinham de fazer uma mesura ao passar por seu retrato, pois ele era um deus vivo, descendente da deusa do sol. Era “sagrado e inviolável”. Durante a sua vida sempre pairou a questão de sua participação pessoal na política agressiva que levou o Japão à guerra. Ele era o chefe tanto do governo militar como do governo civil, mas sua pretensa divindade o colocava em um nível muito distante das decisões do dia-a-dia.
Conclusão
O Palácio Imperial é um oásis de tranquilidade no coração industrial de Tóquio. Foi praticamente destruído por bombardeiros americanos, mas foi reconstruído após a guerra. Atualmente, a família real japonesa se desfez de boa parte da pompa do passado, mas ainda conserva a posição de grande potência econômica do planeta. O atual Imperador é NARUHITO, com 63 anos. Filho homem primogênito do antigo Imperador Akihito e de sua esposa a Imperatriz Michiko. Assumiu em maio de 2019 e está mais próximo do povo que os ancestrais. Mas isso não o torna um cidadão comum, ele é um símbolo importante da unidade da nação.