Desde a infância encontrei nos filmes de terror uma paz em momentos de estresse. Interpreto que seja pelos problemas ali apresentados estarem muito distantes dos encontrados na minha vida cotidiana, sinto muito mais nervosismo um drama. Como sou adepto da teoria de que “não posso ser o único” fui em busca de estudos sobre o assunto. Segue o rabbit hole.
Segundo Mathias Clasen, professor especializado na psicologia do consumo de terror da Universidade Aarhaus da Dinamarca, pessoas que lidam com ansiedade e transtornos pós-traumáticos tem nos filmes de terror uma maneira de lidar com essas emoções sem perder o controle. Podem desligar a TV. Abaixar o volume. Pausar. Tirar os olhos de tela. Quem sofre de transtorno pós-traumático e tem dificuldade em sentir-se em paz, tem nos momentos que o filme acaba a sensação de estar livre daquela ameaça e seguro. Ou seja, estas obras podem ser usadas como simulacros de situações para exercitarmos nossos mecanismos de superação de maneira artificial, controlada e segura.
Outro “tratamento” não comum é ouvir metal. Segundo estudos da Psych Central, ouvir sons pesados que abordam sentimentos negativos como violência e depressão, ao invés de provoca-los e piorar a situação, ajudam a lidar, como uma catarse. Pessoas que ouvem metal tendem a ser menos violentas e estressadas que as que não ouvem. Novamente uma maneira de simular e estimular as sensações que ficam presas em nosso amago e bota-las para fora de uma maneira saudável.
Durante a fase em que vivia o luto da perda de minha mãe somada ao isolamento da pandemia, também consegui mudar minha maneira de encarar as dificuldades que se apresentavam a mim de uma maneira inesperada: jogando Dark Souls. Para quem não conhece são jogos punitivos e difíceis, não tem nenhuma maneira de passar das fases sem simplesmente melhorar sua maneira de jogar.
Nada fica mais fácil, você que lida melhor com a situação: assim como é na vida. Precisei desse simulacro para ver que as coisas não ficariam mais fáceis, mas eu poderia ficar melhor preparado e adaptado. Estudando mais. Treinando mais. Me alimentando melhor. Planejando melhor minha vida. Tirando bons intervalos de tempo fazendo o que gosto e não o que outros queriam de mim.
Novamente não fui o único, existe toda uma comunidade, “Don´t You Dare Go Hollow,” em tradução não literal significa “não ouse desistir,” e são pessoas que usaram o jogo para mudar sua perspectiva da vida e lidar com seus problemas. A arte pode sim salvar vidas.
Claro que somos seres individuais, o que funciona para uns pode não funcionar para outros. Também não estou recomendando o abandono da terapia tradicional, muito pelo contrário, estes são métodos adicionais a psicoterapia. Você é único e seu processo é válido. Sei que raramente as coisas estão fáceis, temos batalhas que ninguém sabe nada a respeito, mas NÃO OUSE DESISTIR.