Com grande frequência ouvimos essa pergunta dentro do consultório, em especial nas primeiras sessões, quando o paciente (que geralmente está enfrentando algum tipo de dificuldade ou sofrimento) busca por uma psicoterapia.
Tal pergunta movimenta algumas questões sobre a necessidade de nomear o que é desconhecido. Porém, essa tentativa de obter uma resposta pronta para o que se sente é, na verdade, um meio de encontrar atalhos vagos para uma caminhada que é longa e única. O rótulo, neste sentido, serve ilusoriamente para aliviar aquilo que incomoda, mas não se entende; ocupa espaço, mas sente-se vazio.
Ainda que o profissional psicólogo esteja amparado por um percurso de teoria, prática, estudos e análise pessoal, não é detentor de um saber sobre o Outro que possa falar mais sobre o paciente que ele mesmo. É no tecer das perguntas, na possibilidade de (re)pensar; é naquilo que nunca fora dito e naquele erro que sempre se repete; é na palavra pronunciada, na frase que parece soltar-se sem que se possa evitar. É no encontro seguro, no medo que dá lugar à curiosidade sobre si; é no todo, e só pelo todo, que se constrói um caminho de volta para dentro.
Além disso, é importante pensarmos que, se houver respostas, estas precisam ser construídas a partir de um trabalho interno permeado por questionamentos e reflexões (e um bocado do “dar-se conta”). Um dos passos mais importantes da psicoterapia é ajudar as pessoas a assumir responsabilidade por suas crises em andamento, porque uma vez que elas descobrem que podem, e devem, construir suas próprias vidas, veem-se livres para gerar mudanças. E a maioria das grandes transformações resulta de centenas de pequenos passos, quase imperceptíveis, que damos ao longo do caminho. Não existem respostas simples para questões complexas. Mas existe a possibilidade de termos um espaço seguro para fazer circular os pensamentos, sentimentos e angústias — e aí sim, conseguirmos decidir o que queremos fazer com isso.