“ Durante a maior parte dos últimos 3.000 anos, os imperadores e outros governantes do leste da Ásia se opuseram a qualquer mudança. Houve longos períodos nos quais o contato com o Ocidente foi proibido ou seriamente restrito. Convencidos de que sua civilização era incontestavelmente superior à dos “bárbaros” que habitavam outras partes do mundo, os dirigentes fizeram tudo o que era possível para mantê-la intacta. Finalmente, no século XIX, foram forçados a abrir as fronteiras às potências ocidentais. O Japão foi o primeiro a assumir a causa de sua humilhação: a tecnologia e o estilo de vida ocidentais. Uma força de trabalho disciplinada e competente ajudou a tirar o Japão da era feudal e torná-lo, na segunda metade do século XX, o primeiro dos “tigres asiáticos” a chegar ao topo das potências econômicas. ”
Reminiscências
A ameaça de um terremoto catastrófico está sempre presente no Japão. A atividade sísmica se deve ao fato de que, 10.000 metros abaixo do fundo do mar, a placa tectônica do Oceano Pacífico Ocidental está deslizando por baixo da placa que contém o Japão. Na superfície, o resultado pode ser devastador.
Japão sobressaltado
Todo lar dispõe de um “kit” de sobrevivência que contém, entre outras coisas, dinheiro e documentos. As autoridades estabeleceram um local, geralmente um parque, onde as pessoas devem se reunir em caso de terremoto. Todo ano, em setembro, o país participa de um exercício de treinamento. Nas praias da costa leste é comum encontrar barreiras contra tsunamis ondas gigantescas produzidas por terremotos submarinos. Na escala Richter – que vai até 9 – qualquer tremor com mais de 5 pontos já causa muitos danos.
Japão- Religião
O Japão é a pátria dos Xintoístas- os adoradores da natureza. Os seus templos estão sempre em meio a parques florestados. A religião baseia-se na adoração da natureza e inclui adoração aos deuses que habitam as árvores, pedras, rios, montanhas, animais e até mesmo o fogão da cozinha. Mas o Xintoísmo moderno tende a se preocupar mais com rituais, santuários e peregrinações. A maioria dos japoneses se volta para a fé em Buda. Existem três grandes universidades budistas no país. 60% das famílias japonesas têm em casa um altar budista. A religião Católica também é praticada, mas em menor escala.
Educação
As crianças japonesas aprendem muito cedo que o mundo é competitivo. Antes mesmo que entrem no sistema escolar, pais ambiciosos sacrificam as finanças para matriculá-las em um curso maternal. Começar o quanto antes é importante em um sistema baseado na crença de que o objetivo dos estudos é passar nos exames. O Japão é uma meritocracia em que a única forma de conseguir um bom emprego, seja no setor público ou no privado, é por meio de um diploma. O governo já anunciou que pretende reformar o sistema, mas se o fizerem, as mudanças serão ditadas pelos empresários, que preferem jovens criativos a simples memorizadores de fatos.
Trem de alta velocidade
Andamos entre cidades por esse trem. Pode chegar a 250 km de velocidade, mas o normal é 210 km. Na estação de Tóquio, o nosso vagão era o 14 e ficamos nesse local na plataforma. Tudo é muito ordenado e limpo, onde passam milhares de pessoas diariamente. O bilhete de viagem trazia o número do vagão e o do assento. Minutos antes do trem chegar, o pessoal da limpeza já está esperando: panos e frascos com desinfetante nas mãos. O pano para a limpeza é dobrado num quadrado para ficar na palma da mão e agilizar o trabalho. Todos os assentos, em couro, são limpos. Exatamente às 10h21min. o trem chegou. Foram 2 minutos para embarcar e em 2 minutos saiu. Não atrasa nem segundos. No interior, há serviço de bar e letreiros luminosos vão mostrando por onde o trem está passando.
Banheiro inteligente no Hotel de Tóquio
O nosso hotel era moderno, confortável e prazeroso. Dispunha de ambientes com jardins, muitas salas de estar e elevadores eficientes. Como estávamos no vigésimo primeiro andar, nunca tivemos problemas. Havia um sistema bancário de autosserviço. No salão do café muita organização: esperava-se convite para entrar e nos acompanhavam até a mesa escolhida. Mas era necessário um manual para bem usar o banheiro do apartamento. O vaso sanitário tinha vários botões. Luzes acendiam, o assento girava, dobrava, esquentava. Quando era usado, emitia uma música para disfarçar ruídos e um leve perfume pairava no ar para anular odores. O chuveiro girava, o volume da água aumentava e diminuía. Várias torneiras difíceis de serem manuseadas. É o Japão da tecnologia. O grupo teve experiências as mais inusitadas possíveis: apertando botões levaram banho no vaso, acharam o assento quente como se alguém tivesse usado, levaram sustos com luzes piscando e ruídos, tiveram dificuldade em usar o vaso, pois ele girava e dobrava. Tudo foi motivo de boas risadas e piadas.
Conclusão
A notável recuperação do Japão depois da segunda Guerra Mundial se deveu a uma aliança entre governo e indústria, combinada com a disposição de investir em tecnologia de ponta. O Ministério do Comércio e Indústria tem a visão de estimular parcerias entre empresas e universidades para financiar pesquisas em realidade virtual. Patrocina a criação de “cidades da ciência” – concentração de laboratórios e institutos de pesquisa. Surgem novos horizontes para a arquitetura, a medicina e o ensino.