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Opinião

Criatividade e a saúde mental

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Por JF Martignoni

Ainda na Grécia Antiga, Aristóteles já argumentava que a genialidade estava atrelada a melancolia. Atualmente temos o Clube dos 27, formado por diversos artistas que morreram nesta idade, “começando” pela lenda do blues Robert Johnson, e incluindo diversos grandes nomes da música internacional como Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Amy Winehouse, além de artistas de outras áreas como o pintor Basquiat, todos de uma forma ou outra sofrendo com psicoses.

Segundo estudos de F. Goodwin e K. R. Jamison pela Universidade de Oxford, os índices de depressão crônica entre roteiristas, escritores e artistas é muito maior que entre a população geral. N.C. Andreasen afirma que as psicoses permitem que as pessoas vejam o mundo de uma maneira diferente e expressem essa interpretação de maneiras singulares criando narrativas artísticas. Pesquisadores Suíços (Journal of Psychiatric Research), estudaram mais de um milhão de pessoas, e os resultados não foram diferentes.  A maioria das pessoas que sofrem com depressão, ansiedade, bipolaridade, esquizofrenia e abuso de substâncias se encontram no meio criativo. Criativos também são mais suscetíveis ao suicídio.

Muitas vezes a criatividade é uma maneira de lidar com suas próprias feridas, um processo de cura individual, daí se dá sua correlação com a saúde mental.  Gail Saltz afirma "atenção vacilante e o estado de devaneio" do TDAH, por exemplo, "também é uma fonte de pensamento altamente original... CEOs de empresas como Ikea e Jetblue têm TDAH, o pensamento fora da caixa, os altos níveis de energia e a maneira desinibida podem ser um resultado positivo de sua condição".

Claro não é necessário sofrer de uma psicose para ser uma pessoa criativa, muito menos deve aceitar sua condição sem buscar tratamento em virtude de manter-se artístico. Também não podemos negar que o mercado de trabalho também influencie na ansiedade e depressão devido ao baixo reconhecimento social, grande concorrência e dependência da sensibilidade alheia para valorizar o trabalho que necessitou de muita dedicação e esforço para ser executado. Diferente de médicos ou engenheiros que são instantaneamente gratificados por sua dedicação e talento.

Todavia, a maioria arrebatadora das psicoses envolve uma predisposição a arte desde a infância, inclusive segundo estudo de Diana Simeonova, crianças bipolares, ou com pais bipolares tendem a desgostar de formas simétricas e simples, tendo mais interesse em obras complexas.

Finalizo com as palavras do romancista Lord Byron: "Nós da arte somos todos loucos. Alguns são afetados pela alegria, outros pela melancolia, mas todos são mais ou menos afetados".

 

 

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