A 500 km de distância de Tóquio, no Mar do Leste da China, está Okinawa, a principal ilha do grupo pertencente ao Japão. Ali foram travados alguns dos mais sangrentos combates da Segunda Guerra Mundial, quando as tropas americanas expulsaram os japoneses, que defendiam cavernas e fortificações. O general japonês derrotado cometeu suicídio. Muitos soldados também preferiram se matar a cair prisioneiros.
Reminiscências
Depois de passar a noite em Kyoto, preocupados com o furacão que passou por perto, no dia seguinte, embarcamos no trem de alta velocidade para chegar a Yokohama, onde embarcaríamos para iniciar o cruzeiro pelo Mar da China. Mas o mar ficou muito agitado, pela passagem do furacão, e o embarque foi adiado. Ficamos mais um tempo em terra e conhecemos Yokohama.
Japão- Yokohama
Nela fica o porto mais importante do Japão e um dos principais portos do Oceano Pacífico. Cidade japonesa localizada na região metropolitana de Tóquio. É a segunda maior cidade do país. Ela sobreviveu a violento terremoto e ao bombardeamento na Segunda Guerra Mundial. Faz parte da Grande Zona Industrial do Japão. Possui importantes indústrias de refinação de petróleo, indústrias químicas, de automóveis, de construção naval entre outras. Também é considerada cidade dormitório de Tóquio pela sua proximidade. Fica apenas 30km da estação central.
Yokohama
É uma cidade moderna com um porto movimentadíssimo. Centenas de carros novos enfileirados no cais esperavam pelo embarque nos navios. Sofreu um violento terremoto em setembro de 1923 deixando, na região, milhares de mortos e desaparecidos. O choque foi suficiente para matar peixes, na península, em uma profundidade de 1.000 metros. Ficamos dois dias na cidade aguardando o embarque. Finalmente, este foi liberado e fomos de trem ao porto. A nossa bagagem, como era muita, seguiu de caminhão transporte.
O Diamond Princess
Este foi o nosso navio de cruzeiro. Moderno e gigante da Companhia Americana Princess Cruises com sede na Califórnia – USA. Os trâmites são complexos para entrar num navio, mas sempre muito bem organizados. A língua usada era o inglês, inclusive para preencher documentos. Mas a ajuda de um e de outro tudo se resolve. Exatamente às 16h58min. o navio deixava o porto de Yokohama para ingressar no Mar da China, continuação da nossa aventura, que continuaria até Singapura. Em grande organização, as nossas malas já estavam na porta da nossa cabine, quando a ela chegamos.
Da sacada da nossa cabine, fomos vendo a cidade se distanciando e, já escurecendo, as altas torres dos edifícios ficaram apenas elegantes silhuetas. Ficaram na lembrança as viagens de trem, a beleza e a elegância de Tóquio e de Kyoto, esta sempre como cidade imperial.
O dia seguinte foi todo de navegação até chegar a Osaka, outra cidade japonesa do roteiro. O tempo foi de descanso, de aproveitar tudo o que o navio oferecia e de convívio com os amigos.
Mar do Leste da China
Na Idade Média, os mares que separam o Japão da China e da península da Coreia levavam produtos como seda, moedas, cobre, livros e porcelanas. Pessoas como monges, comerciantes e homens de letras. Em troca, o Japão exportava pérolas, ouro, madeira e madrepérola. O Mar da China era quase um lago japonês. Os comerciantes, da época, tinham poucos escrúpulos e, às vezes, misturavam um pouco de pirataria ou contrabando com os negócios legais. Entretanto, foi graças a eles que o Japão abriu representações comerciais em regiões remotas da Ásia. Muito tempo depois, em 1858, o Japão assinou tratados comerciais com os Estados Unidos, Inglaterra, França e Rússia.
Conclusão
O Japão, com poucos recursos naturais em seu território, sempre considerou o mar uma extensão lógica de seu espaço vital. A dívida do país com o mar é incalculável. As rotas marítimas transportaram não só mercadorias, mas influências que começaram com o Budismo até o cultivo do arroz, passando pelas técnicas artesanais chinesas. Foi também por ele que chegou a influência modernizante dos Estados Unidos.
Nenhuma sociedade do leste da Ásia escapou das mudanças introduzidas pelo progresso em um estilo de vida que vinha se mantendo inalterado durante milhares de anos. O Japão oferece alguns exemplos interessantes das contradições que uma sociedade em transformação tem de enfrentar. O Imperador era considerado um deus vivo até o país ser derrotado na Segunda Guerra Mundial. Hoje, perdeu tanto a divindade como a autoridade. Mas a população da segunda potência industrial do mundo ainda o considera o mais importante símbolo do país. A luta do sumô está perdendo espaço, nos meios de comunicação, para o beisebol e o futebol. As mulheres japonesas, durante muito tempo reprimidas, hoje defendem seus direitos e ocupam posições dominantes como as dos homens.