“Porque as cidades devem ser arborizadas”
Normalmente, as pessoas habitantes de uma cidade não se tocam ou dão pouco valor a uma árvore plantada numa avenida, num canteiro. Mas, é só chegar o verão, e não encontrar uma sombra para estacionar o carro, ou até mesmo, ir lá no Santuário Nª Senhora de Fátima e não ter uma sombra amiga para ficar com a família e amigos, que já nos lembramos da falta que faz uma árvore e sua sombra!
Antigamente e/ou até mesmo hoje, se plantam árvores em cidades sem qualquer planejamento, sem conhecimento de sua biologia. E depois vem os problemas, raízes levantando calçadas, copada altas atingindo a fiação, plantas sem floração ou que soltam as folhas no inverno, entre outros.
Sabe-se que os hábitos de cada organismo vivo variam com o meio que os rodeia. Assim, uma cultura de um micro-organismo se desenvolve muito mais em um meio ambiente saudável. Uma árvore desenvolve-se melhor quando cresce livremente, adubada e protegida dos predadores. O homem vai se sentir bem, com mais saúde, se criar ao redor de si um ambiente melhor e sadio nós somos frutos do ambiente em que vivemos. Ressalta-se que o homem teve como habitat natural e primitivo a vida livre desenvolvida nas florestas. Hoje, habita a cidade, em meio ambiente totalmente diverso e hostil, muitas vezes sem opção, sujeito às consequências da hostilidade ambiental representada pela poluição, pelo concreto, pelo asfalto e pelas pragas e doenças.
A arborização de vias públicas ou urbanas consiste em trazer para as cidades – pelo menos simbolicamente – um pouco do ambiente natural e do verde das matas, com a finalidade de satisfazer às necessidades mínimas do ser humano (PEDROSA, 1983), sendo um dos parâmetros quanti-qualitativos de indicação da qualidade de vida.
Importante destacar que o Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/2001) dispõe ser obrigação dos municípios a formulação e execução do plano diretor e do plano de desenvolvimento urbano, atentando-se, no que concerne ao tema da arborização, as diretrizes de garantia do direito a cidades sustentáveis e ao lazer para as presentes e futuras gerações, ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar a deterioração das áreas urbanizadas, a poluição e a degradação ambiental, e, ainda, de proteção, preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído e do patrimônio paisagístico.
A arborização ainda contribui agindo sobre o lado físico e mental do homem, atenuando o sentimento de opressão frente a grandes edificações. Constitui-se em eficaz filtro de ar e de ruídos, exercendo ação purificadora por fixação de poeiras, partículas residuais e gases tóxicos, proporcionando a depuração de micro-organismos e a reciclagem do ar através da fotossíntese. Exerce ainda influência no balanço hídrico, atenua a temperatura e luminosidade, amortiza o impacto das chuvas além de servir de abrigo e alimento à fauna.
De acordo com Graziano, (1994) vegetação urbana desempenha funções importantes nas cidades, principalmente quanto a três aspectos.
1º) Do ponto de vista fisiológico: melhora o ambiente urbano através da capacidade de produzir sombra; filtrar ruídos, amenizando a poluição sonora; melhorar a qualidade do ar, aumentando o teor de oxigênio e de umidade, absorvendo o gás carbônico; amenizar a temperatura, trazendo o bem aqueles que podem usufruir sua presença ou mesmo de sua proximidade;
2º) Do ponto de vista estético: contribui através das qualidades plásticas (cor, forma, textura) de cada parte visível de seus componentes. É a vegetação guarnecendo e emoldurando ruas e avenidas, contribuindo para reduzir o efeito agressivo das construções que dominam a paisagem urbana devido à sua capacidade de integrar os vários componentes do sistema.
3º) No que diz respeito ao aspecto psicológico: proporciona satisfação, bem estar e prazer ao ser humano.