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Opinião

Memórias de Viagem: Japão e Cruzeiro pelo Mar da China (Parte VIII)

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Por Marlei Klein
Foto Divulgação

O Japão possui a maior frota de pesca do mundo e sua postura de encarar os mares como território de livre exploração tem sido alvo de muitas críticas. A pesca litorânea, quase sempre um negócio familiar, tornou-se insuficiente. Uma solução foi recorrer à piscicultura em torno das ilhas japonesas e no mar interior. Mesmo assim, o mercado continuou a exigir e os japoneses se lançaram em todos os mares do mundo. Hoje, traineiras e navios-fábrica singram os oceanos em busca de cardumes cada vez mais escassos, competindo com outras nações pesqueiras.

 

Reminiscências

Saindo de Kyoto, de trem, chegamos ao Porto de Yokohama para embarcar no navio cruzeiro. Mas, devido à passagem de recente furacão, o mar estava muito revolto e permanecemos mais dois dias em terra. Assim, conhecemos a moderna cidade, que fica a poucos quilômetros de Tóquio e é a sua cidade dormitório. Finalmente, embarcamos no moderno e gigantesco navio “Diamond Princess”, rumo ao Mar da China. Seriam duas noites de navegação para chegar em Osaka e depois em Okinawa. Estas seriam as últimas cidades japonesas a serem visitadas.

No “Diamond Princess”

Finalmente, conseguimos embarcar. A diversidade de atrações e a qualidade dos serviços são os valores mais percebidos pelos hóspedes dos navios de cruzeiro. Mais de dois mil passageiros e centenas de profissionais, de inúmeras nacionalidades, participavam do cruzeiro. Uma viagem assim proporciona conhecimento de vários lugares, em terra, nas paradas que a embarcação faz. No navio, a moeda usada é sempre o dólar, mesmo quando a viagem é pela Europa. Num cruzeiro, a ideia é fazer com que os passageiros conheçam os lugares pelos quais o navio passa, e não apenas apreciem essas belezas de longe ou a bordo. Em cada lugar ele atraca pelo menos um dia e as excursões saem, já com ônibus esperando no porto. O passeio começa bem cedo e vai pelo dia inteiro, repleto de atrações. Conforme o grupo, há guia especializado com a mesma língua do mesmo. Um camareiro atende um pequeno grupo de cabines, deixando o atendimento quase personalizado com direito a chá no horário que melhor convier.  

Entre uma cidade e outra, durante a navegação, é possível aproveitar os restaurantes, as piscinas- água quente e fria- a biblioteca, a capela, o cinema, o teatro, as festas temáticas. É possível conhecer até a cozinha, que ocupa um pavimento inteiro. Muitas diferentes lojas que fazem promoções no final da viagem. No final do dia, antes do jantar, acontece no belo “hall” o “happy hour” com apresentação de orquestra e vozes.

A Noite do Comandante

Como seriam dois dias de navegação, na segunda noite aconteceu a Noite do Comandante. É a Noite de Gala.  Terno e gravata para os homens e traje social para as mulheres. Os homens americanos gostam de usar a gravata borboleta. O dia é todo de preparação. As horas ficam todas marcadas nos salões de beleza. No início da festa, há um brinde com champagne ao som de orquestra. Na ocasião, o comandante recebe com as “boas-vindas” e enumera os grupos dos diferentes países. O nosso grupo era o único do Brasil e também da América Latina. Fomos muito aplaudidos. Todos querem chegar junto ao comandante para tirar fotos. Ele sempre está, na ocasião, com o seu uniforme de Gala: impecavelmente branco com galões dourados.  O jantar, sempre em mesas de seis ou oito pessoas, é requintado, não faltando a lagosta. O serviço é sofisticado e o cardápio com opções deliciosas. E a noite continua, geralmente ao som de orquestra com piano e violinos. Durante as longas viagens acontecem duas Noites do Comandante: uma no início e outra no final.

Japão- Osaka

Encontra-se na região de Kansai e é a terceira maior cidade japonesa. Ela foi uma cidade imperial, por isso, possui muitos mausoléus de imperadores. Cidade agitada com altos e modernos prédios. Ela lembra a nossa São Paulo. Impressionante a fluidez do trânsito.                  

Floating Garden Observatory

É um observatório de 173 metros de altura. São duas altas torres, separadas e, ao meio, os elevadores. Acima das torres estão pavimentos. São uns quatro andares. Para chegar ao cimo, toma-se outro elevador que sobe rapidamente. No final, uma escada rolante muito empinada. Realmente, assustadora. Lá em cima, lojas, restaurantes, cafés e escritórios. Uma grande parte aberta com um chão iluminado por estrelas de onde se permitia visualizar a linda cidade em 360 graus. Fazia muito frio lá no alto.

Rua para pedestres

Nossa visita coincidiu com a saída de alunas de uma escola. Eram adolescentes com impecáveis uniformes na cor azul marinho. Blusão com camisa branca e saia de pregas. Sapatos pretos e meias brancas. Caminhavam sem gritaria ou atropelos. Conversavam educadamente. No Japão, as crianças são matriculadas aos seis anos de idade. Aos doze, passam para o “chugakko”, início do Ensino Médio. O ritmo acelera. Embora tenham aulas nas manhãs de sábado, a maioria assiste a aulas suplementares no final do dia ou mesmo aos domingos. Aos quinze anos, passam por um difícil exame, para chegar ao Ensino Médio Final. A pressão excessiva para obter bons resultados na escola, combinada com a ruptura da vida familiar tradicional, é uma das possíveis causas de suicídio ou crimes violentos entre os adolescentes japoneses. Curiosamente, o ritmo diminui na universidade e os estudantes têm uma vida relativamente tranquila.

Conclusão

Quando voltamos ao navio, já estava escurecendo. A cidade estava feericamente iluminada. O trânsito intenso, fluía rapidamente e logo chegamos ao porto. Da nossa sacada, da cabine, fomos nos despedindo de Osaka, bela e moderna, que não deixa de esquecer que estamos no Japão. Lentamente, o navio foi se movimentando ao som das sirenes em despedida. Ao longe luzes e imagens que ficaram na memória.

 

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