No Capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec discorre sobre a Justiça das Aflições, trazendo considerações sobre as Causas Atuais e as Causas Anteriores.
Com base no axioma de que não existe efeito sem causa, se as causas não estão nessa vida, só podem ter origem em vidas pretéritas. Axioma perfeitamente compatível com a doutrina da reencarnação.
Se considerarmos, então, que as causas de certos sofrimentos estão em outra existência, por que não nos lembramos de nossas vidas passadas?
Quem sabe, essas lembranças poderiam nos ajudar...
Faz parte da curiosidade do ser humano, querer desvendar seu passado.
É mera curiosidade, ou a busca por respostas que nos ajudarão a entender e a resgatar nossos débitos?
Como menciona Kardec, nesse mesmo Capítulo V, se Deus quisesse que fosse útil sabermos de nosso passado, facilmente teríamos acesso à nossa memória inconsciente, à nossa memória integral, na expressão usada por Hermínio Correa de Miranda em sua obra Diversidade dos Carismas, Teoria e Prática da Mediunidade.
Ser inteligente: inconsciente, Subconsciente e Consciente
Hermínio Correa de Miranda na obra citada, traz uma conceituação da estrutura e da dinâmica do Ser Inteligente.
- Inconsciente: depósito das lembranças das vidas anteriores;
- Subconsciente: arquivo da vida atual;
- Consciente: registra acontecimentos, impressões, sensações, no momento em que estão sendo vivenciados. “Como um cabeçote de um gravador que tanto grava como lê as fitas do nosso cassete pessoal”, nas palavras do autor.
Quando acessamos o passado, menciona Hermínio, trazemos para o consciente as lembranças do inconsciente. E essas lembranças podem ser traumáticas, pois que, muitas vezes chocam-se com a realidade atual. Nem sempre o indivíduo está preparado para suportar tais lembranças ou, estar em seu necessário equilíbrio emocional.
(Próximo tema: Esquecimento do Passado – Parte II)