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Opinião

Centenário da Revolução de 1923 (III)

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Por Henrique Trizoto - Coordenador do Arquivo Histórico

 

O encerramento da tríade acerca do centenário da Revolução de 1923, abordaremos a compreensão das degolas, estupros, roubos e demais tipos de violência sob a urgência da “reafirmação dos vínculos éticos e estéticos do ensino de História com os passados sensíveis e com a compreensão do presente como objeto de estudo e de intervenção da História” (Pereira, 2017, p. 01).

Trago a reflexão de Arendt “Em nenhum outro lugar fica mais evidente o fator autodestrutivo da vitória da violência sobre o poder do que no uso do terror para manter a dominação, sobre cujos estranhos sucessos e falhas eventuais sabemos talvez mais do que qualquer geração anterior. O terror não é o mesmo que a violência; ele é, antes, a forma de governo que advém quando a violência, tendo destruído todo o poder, em vez de abdicar, permanece com controle total”. Para sistematizar os impactos da Revolução de 1923, como fora explorado pelo prof. Enori Chiaparini na Jornada Acadêmica O centenário da Revolução de 1923 e o Combate de Erebango.

As tropas adentravam as propriedades e requisitavam tudo que lhes era necessário e não se importavam com o que isso acarretaria na rotina e na subsistência das famílias. Quando muito, deixavam uma espécie de nota promissória para que os atingidos buscassem seus direitos na prefeitura municipal quando a Revolução terminasse.

No ano de 2013, realizei no Arquivo Histórico palestras no mês de abril sobre a Revolução de 1923, encerrando-as com a música “Os Silêncios das Janelas do Povoado” de Luis Marenco lançada dez anos antes. Destaco duas estrofes:

Era um fim de dia quieto

Pra quem quisesse ouvi-lo

Apesar do céu sangrando

Alguns mateavam tranquilos

Foi quando cascos nas pedras

E constâncias de esporas

Quebraram o calmo das casas

Chamando olhares pra fora

[...]

Primeiro um rangido fraco

Depois um grito prendido

E a intenção da adaga

Tinha mostrado sentido

E os quatro em seus silêncios

Voltaram no mesmo tranco

Deixando junto a soleira

Vermelho um lenço branco

 

Ou seja, o medo acompanhava os grupos sociais, independentemente da cor do lenço, a práxis era a mesma, usar os recursos das propriedades, arregimentar homens e deixar as tropas inimigas sem a oportunidade de executar isso. Os traumas da geração que passou por isso ficaram impressos em seus modos de vida, e foram tratados apenas com silêncio.

 

Referências

 

ARENDT, Hannah. Sobre a violência. Civilização Brasileira, 2022.

PEREIRA, Nilton Mullet. Ensino de História, dever de memória e os temas sensíveis. Anais do Seminário de Educação, Conhecimento e Processos Educativos, v. 2, 2017.

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