A reflexão acerca do fazer historiográfico relacionado a história local de uma determinada comunidade perpassa pela observação dos elementos conhecidos como lugares de memória, afinal eles ilustram o processo de construção e consolidação da narrativa oficial e do que é “pertinente” lembrar.
Neste sentido, na produção do conhecimento histórico, enfim, um certo compromisso de falar sobre algo verdadeiro confronta-se com o reconhecimento de que, talvez mais do que em qualquer outra área do saber, o conhecimento produzido pelos historiadores é relativo (Barros, 2022, p. 14).
Em Erechim, nossos lugares de memória compreendem o prédio da Comissão de Terras (Castelinho) construído entre 1912/1915, a Prefeitura Municipal inaugurada na década de 1930, o prédio da Viação Férrea que foi construído a mais de um século, a Praça da Bandeira e as quadras da Avenida Mauricio Cardoso com seus prédios em Art Decó e Art Noveau, podemos inserir ainda, as casas antigas de madeira como a casa do Professor Mantovani, a casa (rosa) da rua Valentim Zambonatto, a casa que foi do prof. Carlos Funfgelt (prof. Alemão), além de casas antigas de alvenaria.
A análise destes locais por meio de trabalhos acadêmicos e passeios guiados pela cidade, nos leva a perceber “a forte presença do sujeito ao abordar o objeto histórico, e as marcas que ali são deixadas pela sua própria época e lugar de produção – sem considerar ainda que o historiador trabalha sempre com a mediação produzida pelas suas próprias fontes” (Barros, 2022, p. 14).
Compreender isso, é assumir que a História é “uma modalidade de conhecimento que não parece ser associável integralmente a uma verdade histórica independente do historiador que a produz, ainda que todo instante o historiador precise se empenhar em oferecer à sua comunidade de leitores alguns índices de veracidade em relação ao objeto ao qual se refere (Barros, 2022, p. 14).
Cada um dos pesquisadores estabelece suas interpretações sobre lugares de memória a partir de seu arcabouço teórico aliado as suas experiências. E, os relatos não serão uníssonos, e, é por isso que não encontramos verdades absolutas neste campo.
Estes lugares de memória, principalmente os públicos, com o advento das novas correntes historiográficas passaram a ser objeto de disputa de narrativas, retomamos assim a ideia já apresentada em colunas anteriores, de que cada escolha reflete os interesses do grupo que se encontra com as relações de poder sob sua tutela, portanto “escolhem” o que é lembrado e por consequência o que(m) deve ser silenciado.
Referência
BARROS, José D’Assunção. Verdade e História, 2022.