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Opinião

Existe espaço para os espaços de memória? (II)

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Por Henrique Trizoto - Coordenador do Arquivo Histórico

A história local é, sobremaneira, complexa pelo fato de tocar em temas sensíveis, passados vivos e vívidos, lembranças e afins. Pensar na produção do conhecimento histórico, parte da compreensão acerca da necessidade de “um certo compromisso de falar sobre algo verdadeiro confronta-se com o reconhecimento de que, talvez mais do que em qualquer outra área do saber, o conhecimento produzido pelos historiadores é relativo” (Barros, 2012, p.14).

Na última coluna, abordei os espaços de memória, e se existe espaço para eles na sociedade atual, e que isso é relativo, dependendo dos interesses. Ao ser questionado, a respeito do “é relativo”, me ancorei na perspectiva da  “A forte presença do sujeito ao abordar o objeto histórico, e as marcas que ali são deixadas pela sua própria época e lugar de produção – sem considerar ainda que o historiador trabalha sempre com a mediação produzida pelas suas próprias fontes – fazem da História uma modalidade de conhecimento que não parece ser associável integralmente a uma verdade histórica independente do historiador que a produz, ainda que todo instante o historiador precise se empenhar em oferecer à sua comunidade de leitores alguns índices de veracidade em relação ao objeto ao qual se refere (Barros, 2012, p.14).

A reflexão sobre esta perspectiva nos possibilita compreender dois processos, o primeiro referente às memórias individuais e o segundo, de que forma estas memórias contribuem para a construção da memória coletiva de uma determinada comunidade.

As memórias individuais, como o próprio nome diz, são particulares, construídas a partir do processo de subjetivação das experiências e vivências de cada sujeito. Elas contribuem para a construção da “visão de mundo”, da identidade e somadas formam a percepção acerca da memória coletiva da comunidade em que se está inserido.

 Por isso, a construção do conhecimento histórico é complexa, o historiador precisa compreender a teia de interesses e as percepções levando em consideração os processos de subjetivação, a fim de oferecer sua interpretação acerca de determinado processo histórico e seus desdobramentos (espaços de memória, monumentos, narrativas).

O espaço para estes desdobramentos, é relativo, e serve aos interesses de quem controla a narrativa oficial.

 

Referência

BARROS, José D’Assunção. Verdade e História, 2022.

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