“O papel importante do agro brasileiro na transição energética”
Indubitavelmente a transição energética no Brasil terá o agro como sua mola propulsora, impactando decisivamente na balança comercial brasileira.
Etanol de cana de açúcar, de milho e agora de trigo
A cana-de-açúcar é uma matéria-prima altamente eficiente para a produção de etanol, gerando cerca de 7 mil litros por hectare - superando outras fontes como o trigo na Europa e o milho americano em termos de produtividade. A produção de etanol no Brasil é predominantemente de primeira geração (1G), obtido a partir da cana-de-açúcar. Além do etanol de primeira geração, o etanol de segunda geração (2 G) é produzido a partir dos resíduos do processo produtivo do etanol de primeira geração e do açúcar, aumentando a disponibilidade de biocombustível no mercado sem a necessidade de destinar mais terras para cultivo e sem competir com produção de alimento. Isso otimiza os recursos energéticos brasileiros, reduz o uso de terras, amplia o portfólio de energia com baixa emissão de carbono e oferta produtos com preços mais acessíveis para os consumidores. Na safra atual, o etanol de cana-de-açúcar deverá produzir 27 bilhões de litros;
O menor impacto ambiental do etanol de cana-de-açúcar se deve a diversos fatores relacionados à sua produção - incluindo alta eficiência por hectare, técnicas de manejo do solo e o aproveitamento de resíduos da cana.
Mais recentemente surgiu a produção brasileira de etanol de milho, que deve alcançar 6 bilhões de litros na safra 2023/2024, uma alta de 36% em relação ao ano passado e de 800% nos últimos cinco anos, de acordo com projeções da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).
A produção de etanol de milho no Brasil tem chamado a atenção devido à sua rápida expansão nos últimos anos. O aumento da capacidade produtiva é resultante principalmente:
- Da ampliação do complexo industrial brasileiro – que têm seu número de usinas aumentado e ampliado nos últimos anos;
- Da adoção de tecnologias que aumentaram o rendimento industrial;
- Do aumento da demanda internacional por biocombustíveis;
4.Projeção de crescimento na produção de etanol de milho até 2030;
- Se em 2013 o Brasil tinha a modesta produção de 11 milhões de litros de etanol de milho, os dados dez anos depois, da safra de 2023 chegaram ao total de 4,5 bilhões de litros;
- A perspectiva é que até 2030, a estimativa da Unem é a produção de 10 bilhões de litros de etanol do cereal;
- O milho foi responsável por 15% de toda a geração de etanol no Brasil na safra 2022/23 e a estimativa da Unem é que o etanol de milho represente 20% do mercado de biocombustíveis no País até 2030;
- No período, segundo a entidade, foram investidos mais de R$ 15 bilhões em parques industriais de etanol de milho (matéria publicada na revista Isto É).
O consumo de etanol evitou a emissão de 600 milhões de toneladas de CO2 no Brasil.
Enquanto as usinas de etanol à base de trigo são comuns na Europa e no Canadá, a maior parte da produção brasileira vem da cana-de-açúcar e, mais recentemente, do milho. A fabricação de Etanol a partir de trigo está ganhando o mercado. Pesquisas desenvolvidas após sete anos pela BIOTRIGO de Passo Fundo, hoje GDM desenvolveu a genética para a produção de etanol a partir de uma variedade de “trigo especial”, por possuir elevados níveis de amido e alta produtividade.
A Be8 S.A. de Passo Fundo (RS), maior produtora de biodiesel do Brasil, lançou recentemente a sua fábrica de etanol a partir de trigo, triticale e sorgo, a qual deverá entrar em operação a partir de 2026. A primeira fábrica de etanol do Rio Grande do Sul deverá consumir anualmente 330 mil hectares de cereais de inverno, e produzirá o equivalente a 25% do consumo de etanol do RS.
Surge uma nova oportunidade de ampliação das lavouras de inverno no RS.