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Opinião

Memórias de Viagem: Japão – Cruzeiro pelo Mar da China – Singapura (Parte XXVI)

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Por Marlei Klein

A vontade de viajar, de abrir nossa mente e ir além daquilo a que estamos acostumados, é tão velha quanto a própria humanidade ... Não importa se estamos partindo para umas férias em Londres ou para um lugar extremamente exótico: viajar nos transforma, às vezes de modo superficial, às vezes de maneira profunda. É como uma sala de aula sem paredes. Viajar serve para ajustar a imaginação à realidade e para ver como as coisas são em vez de pensar como seriam...”

 

Reminiscências- Singapura

Resumindo: esta cidade- possui uma cultura bem diversificada, fusão de raças, religiões e línguas. A cidade impressiona pela sua organização, limpeza e eficiência. A ela chegamos através de cruzeiro pelo Mar da Malásia. Mas há um modo muito interessante de conhecer a Região e Singapura. Seria através do trem – a vida em marcha lenta –. Não a realizei, mas acalento como possível um dia realizar. Viagens de trem são especiais e é uma maneira muito interessante de conhecer o inusitado. 

The Eastern & Oriental Express

Vagaroso como a vida nas aldeias Kampong da região, o luxuoso Eastern & Oriental Express, parte de Singapura e sobe a península malaia em meio a históricos seringais ao longo de todo o caminho até Bangkok. Esta é a exótica Cidade dos Anjos tailandesa, voltando logo em seguida.                       

Trem de Época

A luxuosa decoração do trem remonta a uma época onde este meio de transporte fazia roteiros especiais para pessoas exigentes. Ele vai passando por plantações de chá e pagodes encarapitados nas montanhas. Vão passando pela janela, quilômetros após quilômetros, junto com o odor penetrante da floresta úmida. Pelo vagão passam preciosos e panorâmicos instantâneos da vida rural. São arrozais salpicados de lavradores, arados puxados por búfalos, crianças em aldeias de casas de sapé acenando à passagem do trem.

A Vida em Marcha Lenta

O interior dessa máquina do tempo sobre rodas é um mundo de opulência- compartimentos pequenos, porém elegantes, que evocam tempos antigos. Vagões-restaurante decorados com laca chinesa, motivos malaios e sedas tailandesas à altura do seu requintado cardápio. Depois de quase 2000 km e 40 horas de viagem, a vontade é permanecer ali para repetir essa experiência romântica, excessivamente curta, na direção oposta – nem que seja para conservar a ilusão de que se está num filme. O trajeto é de Singapura a Bangkok ou o inverso. O trem, durante a viagem, faz paradas para algumas excursões. A melhor época para esta viagem é de março a outubro.

Tailândia- Bangkok

Esta é a capital da exótica Tailândia, antigo Reino do Sião. Cidade moderna e dinâmica, mas ainda conserva muitos aspectos de cultura milenar. A maioria da população segue o budismo. Muitos templos do Buda com estátuas incomuns como a dele inclinado. No templo do Buda de Ouro, uma imagem que pesa 5 toneladas. O mais venerado é o Buda de Esmeralda como símbolo budista da Tailândia.

O passeio pelos mercados flutuantes de Damnoem Saduak é uma das belezas da viagem. Comerciantes vendem seus produtos em barcos típicos e coloridos, ao longo do canal. Há uma mistura de cores, aromas e sabores. Realmente, uma exótica experiência com cenários únicos e extraordinários. Mas devemos estar preparados para uma viagem desse porte. São muitas novidades e diferenças. Outras culturas, outras experiências...

Singapura

Ela é a realidade moderna do Oriente, mas coexiste harmoniosamente com sua variedade de culturas. Em meio à modernidade, todas guardam seus costumes e tradições. De grande beleza natural impressiona por obras futuristas criadas e até não imaginadas.

Conclusão

Concluo reproduzindo partes de uma crônica de Martha Medeiros: “... jamais defenderei que viajar é uma banalidade dispensável...Por que viajar precisa ser um estado de exceção?  Passamos grande parte da vida morando no mesmo endereço, com alguns intervalos de fuga...Eu sei, o ser humano é gregário, precisa manter vínculos emocionais e ter um emprego a fim de ganhar dinheiro para sobreviver, não é prudente se aventurar...Porém, morar para sempre numa única cidade, em geral a que nascemos, é que parece ser um desatino. Pense no que o planeta oferece. Ilhas. Florestas. Desertos. Montanhas. Geleiras. Cânions. Santuários. Templos.   Pirâmides. Vulcões. Savanas. Praias. Ruínas. Aldeias. Caminhos sagrados. Metrópoles futuristas. Vilarejos históricos. E pessoas. Pessoas de todas as raças e culturas, pessoas que pensam, comem e agem de forma diferente da nossa. Cartões postais existenciais...Não fomos educados para a experiência in loco, para as possibilidades de conexão com etnias variadas, para uma expansão geográfica que nos transforme de fato em cidadãos do mundo. A segurança nos atrai na mesma medida que a liberdade nos assusta. Compensamos nosso comodismo com livros, que são mais baratos que passagens aéreas. E, quando dá, fazemos turismo. Cada viagem de 10 dias ou de um mês é um jeito de colocar a cabeça para fora da gaiola. Depois, voltamos para casa ainda mais comprometidos com nossas raízes: condicionados ou não, optamos pelo amor romântico, pela criação dos filhos, pelos cuidados com os pais. Confirmar, de tempos em tempos, que existe muito mais do que isso, é nosso ato de bravura. Mas aventura mesmo é ficar. ”

 

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