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Opinião

Memórias de Viagem: Comemorações de Natal e de Ano Novo (Parte I)

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Por Marlei Klein

Reminiscências

O mês de dezembro nos faz voltar e rever, a cada ano, a alegria da festa do Natal e as expectativas para um Ano Novo. Pensando nisso, faço uma interrupção das Memórias de Viagem, que escrevi sobre o Japão, Cruzeiro pelo Mar da China, Singapura e agora estaria faltando Emirados Árabes. Logo continuarei. No momento, recordo outras viagens de memórias muito queridas vivenciadas nessa maravilhosa e nostálgica época do ano. É a magia do Natal que se estende na esperança de um Ano Novo com a chance de recomeçar tudo de outra forma...

                        

 

Natal em Belém

É a eterna tradição numa cidade bíblica. Visitei Belém. Não era época do Natal, mas a experiência vivida parecia ser. A visita à Gruta do Nascimento de Jesus e ao Campo dos Pastores nos leva à imaginação e sentimos reviver o que lá aconteceu. No Campo dos Pastores, vários corais, do mundo todo, cantavam “Noite Feliz” em suas línguas de origem. Aquelas vozes e melodias enchiam o quase descampado e nos induziram a crer, rever e criar cenas do que uma vez aconteceu.  A emoção de estar nos lugares em que Jesus nasceu emocionava a todos.             

 

Belém

Está localizada num vale, numa cidade árabe. Ela sempre foi, para os cristãos, a suprema experiência de vida na noite de Natal. Peregrinos são atraídos para esse lugar há muitos séculos, desde que, em 326 d.C., a rainha Helena, mãe do Imperador romano Constantino, o Grande, encontrou a gruta onde Cristo nasceu, agora marcada por uma estrela de prata de 14 pontas, num pequeno ambiente e abaixo do solo.

 

Igreja da Natividade

Foi concluída em 333 d.C. É a mais antiga da Terra Santa e um dos lugares mais sagrados do Cristianismo. Ela é compartilhada por três igrejas: a Ortodoxa Grega, a Católica e a Católica Armênia. A Igreja de Santa Catarina, ao lado, é mantida sob os auspícios da Ordem Franciscana da Igreja Católica Romana.                  

 

Cerimônias do Natal

Tradicionalmente, eram realizadas cerimônias religiosas nos dias 24 e 25 de dezembro para os católicos. Dia 7 de janeiro para os gregos ortodoxos e 19 de janeiro para os armênios. Para estes últimos, com ligeiras variações anuais de acordo com o seu calendário. Após a missa especial da noite de 24 de dezembro, os fiéis lotavam a praça defronte para ouvir uma execução ao vivo de “Jingle Bells” – Toca o Sino- e canções de Natal. O local onde isso se realiza fica a 10 km a oeste de Jerusalém. Hoje, por motivos óbvios, não se realiza.

 

Natal em Viena

Esta cidade, capital da Áustria, se situa na extremidade dos Alpes como uma imponente guardiã da história. Elegante cidade do Velho Mundo e uma das mais fascinantes capitais da Europa. Não é muito conhecida dos brasileiros. Deliciosamente civilizada e confortável, além de ser sempre recompensadora para os que buscam arte, música e cultura. Tivemos o privilégio de visitá-la várias vezes. Era muito grande a nossa vontade de nela passar as festividades do Natal.

 

Viagem de Natal

Embarcamos num dia 23 de dezembro, no aeroporto de Guarulhos rumo a Frankfurt- Alemanha. Tínhamos conexão para Viena. Esta teve de aguardar, pois nevava muito. Ficamos aguardando uma melhora do tempo. Finalmente, a viagem foi liberada. Os avisos eram dados em alemão e inglês o que exigia muita atenção. O clima no avião já era de Natal. Não estava muito lotado e as aeromoças usavam gorros vermelhos. Serviam cidra quente, chocolates e desejavam: FROHE WEIHNACHTEN – FELIZ NATAL! Quando desembarcamos, já eram 19 horas. Era véspera de Natal. Nunca vi um aeroporto tão vazio! Tudo deserto e à meia-luz. Chegava-se a ter uma sensação de abandono e de perdidos. Uma simpática aeromoça nos ensinou a cortar caminhos para a saída. Fora, um carro nos esperava para nos conduzir ao nosso excelente hotel. Tínhamos jantar reservado. O motorista, com gravata borboleta, já estava vestido para a festa. Ele nos disse que era o seu último compromisso. Chegando ao hotel, meu marido e eu, vimos que a festa já havia iniciado. Tivemos pouco tempo para nos preparar.

 

Viena é Natal

Branca com a neve, vento gelado, enfeitada com a decoração tradicional e profusamente iluminada. No ar, aromas e notas de Natal. Cheiros e sabores nos Christkindlmarkts – Mercados de Natal. São organizados pela prefeitura. Dezenas de barraquinhas vendem de tudo que tenha forma, cheiro e sabor de Natal. Muitas são de voluntários que buscam meios para obras assistenciais. Observei que o Rotary Club estava presente. Corais, entre elas, interpretam canções e procuram fazer com que os visitantes participem. A atmosfera é festiva, colorida e aconchegante completada em seus cafés e confeitarias, que estão sempre lotados. Viena inventou a cultura europeia dos cafés. Neles vemos jovens e idosos. Muitos aproveitam para ler o jornal ou simplesmente passar o tempo.

 

Conclusão

Tudo encanta em todos os sentidos. Foi isso que nos fez querer conhecer e participar do seu Natal. As tradições não são esquecidas. De alguma maneira entram na modernidade pela euforia dos jovens e o olhar compassivo dos que guardam a nostalgia dos tempos.

 

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