Em entrevista para a TV Bom Dia, na última quarta-feira (13), o presidente do Ypiranga, Adilson Stankiewicz, fez uma análise da temporada 2023 e projetou 2024, quando o clube completará 100 anos.
O foco seguirá sendo o acesso para a Série B e Adilson frisou que “o torcedor pode ter esperança porque a equipe que montamos para 2024 é mais qualificada que a equipe desse ano. Agora, tem que dar encaixe”.
O presidente destacou ainda que, “nós não podemos ter essa obrigação do acesso. Claro, seria maravilhoso subir, nós queremos subir, estamos trabalhando para isso, mas não podemos nos colocar essa obrigação” e explicou os motivos. “A folha salarial do Ypiranga é de R$ 300 mil, deve ser a sexta folha do Campeonato Gaúcho, e vamos brigar para ficar entre os quatro. Mas no Campeonato Brasileiro Série C, ela fica entre as cinco menores folhas. E nos colocamos na obrigação de subir, com uma folha dessas e uma média de 28, 29 atletas no elenco. Para o pessoal ter uma ideia, o Amazonas subiu com uma folha de R$ 1 milhão e 39 atletas”.
Atenção para o Gauchão
Lembrou que a ideia de alguns torcedores, de que o Campeonato Gaúcho não seja colocado como prioridade para que o time não perca atletas que se destacam antes do início da Série C, é algo impossível de ser feito. “A gente escuta muito sobre não dar atenção para o Campeonato Gaúcho para tentar manter o time no Brasileiro. Mas se tivermos um mau desempenho no Campeonato Gaúcho, nós não teremos Copa do Brasil no outro ano e não tendo Copa do Brasil, fica muito pesado financeiramente e você vai precisar daquele dinheiro ali na frente, então, não tem opção. E na metade do ano você tem um mercado limitado”.
Ano bom financeiramente
“O ano de 2023 foi muito bom na questão financeira. Não só pelo sucesso que a gente teve no Campeonato Gaúcho e Copa do Brasil, mas também fizemos boas vendas de atletas. Pela primeira vez, o Ypiranga fez quase R$ 2 milhões em vendas de jogadores. Vendemos o Erick para o Juventude, e ele foi decisivo para o time subir para a Série A, vendemos o Matheuzinho para o Vitória e ele se tornou o camisa 10 titular, vendemos o PK para o Cuiabá. Tivemos outras saídas e negociações, como o Gedeílson, o Morelli. Todos foram para a Série A ou B”.
Gostaríamos que ficassem
“Claro, o torcedor, muitas vezes gostaria que o atleta ficasse. Nós também, mas quando chegam propostas é muito difícil conseguir segurar. São salários muito acima do nosso orçamento. Então, nesse momento, que se faça o melhor pelo clube, que ele tenha o seu rendimento para você conseguir repor, pagar contas, etc. Tanto que colocamos no orçamento de 2024, R$ 1 milhão de receita de venda de jogadores, então, já temos previsão de vender atletas também no ano que vem”.
49º no ranking da CBF
Para o presidente, essa temporada, que encerrou para o clube no último dia 26 de agosto, foi uma das melhores da história do Canarinho. O clube subiu para a 49ª posição no ranking da CBF, com 2.617 (ano passado era o 53º, com 2.242) e está entre as maiores forças do futebol no Estado. “Foi um ano fantástico. Um dos melhores da nossa história. Vamos começar lembrando que chegamos mais uma vez à semifinal do Campeonato Gaúcho, disputamos uma semifinal fantástica contra a equipe do Grêmio, chegamos a estar vencendo eles por 1 a 0, em Porto Alegre. Não me sai da memória o Renato engolindo a correntinha, fazendo uma oração, sentado ao lado da caixa de gelo”.
Campeão do Interior
“Faltava 15 minutos para acabar o jogo e estávamos vencendo com gol do Mossoró e o Grêmio já sem tática nenhuma, lançando bola na área, buscando aquela pressão final e infelizmente tomamos dois gols de bola aérea, que levaram a decisão para os pênaltis e se não me engano, fomos até o oitavo pênalti. Então, foi realmente uma decisão de semifinal maravilhosa. Acabamos ficando com o título de Campeão do Interior, e para ter uma noção da importância desta conquista, é apenas o segundo na nossa história. O primeiro foi ainda em 1994, ainda com o Paulo Gaúcho.
Essa decisão nos colocou na Copa do Brasil de 2024 e isso é extremamente importante para as finanças do clube, e não só isso, é importante também porque vamos disputar com grandes equipes novamente, como foi esse ano”.
Melhor jogo do ano
“Na Copa do Brasil, acho que fizemos um dos melhores jogos do ano na segunda fase, quando pegamos o Bragantino, equipe de primeira divisão, que terminou o brasileiro nas primeiras colocações, vai para a Libertadores, e massacramos eles no Colosso da Lagoa. Foi 3 a 1 ao natural. Tiramos o Bragantino e fomos para a terceira fase, também pela segunda vez na nossa história. A primeira havia sido em 2016, onde a gente eliminou Aparecidense, Atlético Goianiense e por último pegamos o Fluminense. Este ano enfrentamos São Francisco, Bragantino e na sequência, Botafogo”.
Ano superavitário e projeção nacional
“Pegamos o Botafogo em ascensão, o Perri fez defesas maravilhosas aqui em Erechim, metemos bola na trave, mas perdemos por 2 a 0 num jogo em que o Ypiranga foi melhor. Depois fomos jogar no Rio de Janeiro, também perdemos por 2 a 0, mas aí com um domínio bem maior deles. Mesmo assim foram dois enfrentamentos lindos e que nos renderam muito bons recursos financeiros. Permitiram que esse fosse um ano superavitário para o Ypiranga e nos deu uma projeção nacional muito grande”.
Saídas e lesões
“Na sequência iniciamos a Série C. Começamos muito bem, nas primeiras nove rodadas estivemos sempre entre os oito primeiros colocados, mas depois a equipe oscilou muito. E isso foi em função da saída de atletas e de lesões, que tivemos, principalmente, na fase final, nos últimos seis, sete, jogos. Na última partida, tínhamos quatro meninos da base em campo, porque, realmente, a equipe estava desmontada devido a uma série de lesões que aconteceram na parte decisiva da competição. Faz parte também”.
Centenário
Sobre o que está sendo preparado para o ano do centenário (2024), Adilson conta que um dos objetivos é que o clube alcance 3.500 sócios, atualmente tem 3 mil e que “a programação está à cargo do Conselho Deliberativo, presidido pelo Ricardo Adamczyk. Está sendo montada a programação de atividades extras e a primeira acontece já neste final de semana, dentro da programação de Natal, do município. É o grande encontro de veteranos do Ypiranga, lá no Colosso da Lagoa. O time de veteranos, 35 anos, e o time master, 45 anos, vai disputar um jogo comemorativo contra o campeão municipal, a equipe do Gaviões. E detalhe, uma parte dos jogadores do Gaviões é ex-Ypiranga”.
Convite para as famílias
“Quero aproveitar e convidar as famílias para irem neste sábado (16), a partir das 14h30, até o Colosso da Lagoa para curtirem o encontro desses craques do passado. A entrada é um quilo de alimento não perecível, que vai ser destinado às entidades carentes do município. Teremos ainda, entre outras coisas, logo e camiseta comemorativa dos 100 anos. Vem muita coisa legal no próximo ano e a ideia é fazer pelo menos um grande evento por mês para irmos marcando a data”.