Ganhar presentes alegra a todos indistintamente. Sonhar com alguns especiais é rotineiro. Ganhá-los… nem todos os conquistam.
Sonhei, quando menininha, em ganhar um fogãozinho cor de rosa com 4 panelinhas. Esperei tanto, tanto tempo que, quando o presente chegou - e não lembro em que época do ano-, já não representava nada mais. O fogãozinho ficou para sempre envolto em seu papel celofane, intocado. Nunca mais esperei ou sonhei com presentes. Nossa situação econômica não comportava sonhos, menos ainda presentes.
Sem conhecer árvores de Natal, nem receber papai Noel, a vida seguiu. O que foi conseguido, foi com muita luta, muito estudo e muita realidade árdua. Uma das pequenas alegrias era ouvir emissoras do mundo todo, Egito em especial e a Voz da América. Nosso rádio era excelente!! Conheci a história e a música de todos os locais. Quando meu pai pode comprar discos para tocar em nossa vitrolinha, eu mais e mais me apaixonava por música. Boa música. A clássica tinha lugar especial e eram estudados seus autores, com entusiasmo. Porém, os grandes concertos, as óperas, os renomados musicais, o doce e esplêndido balé, ficavam na imaginação.
Até que chegou a hora de assistir alguns bons espetáculos como no Tablao de Sevilla onde assisti Bailaoros de flamenco na sua nostalgia, no seu cante “gitano” de povo excluído. Considerei também um lindo espetáculo uma missa dominical na monumental catedral de Toledo, que foi a antiga capital dos Visigodos na Espanha. Ali assisti, deslumbrada, uma missa com um mavioso coro.
Igualmente, ao assistir à missa dos peregrinos na milenar catedral de Santiago de Compostela, onde o “botafumeiro” perfumava a igreja e um sóbrio coral me fazia chorar. Meu coração quase desistiu de pulsar no sábado, dia 9/12, na catedral São José ao ver se formar o coro sinfônico da OSPA, conduzido pelo simpático e amável maestro Manfredo Schmiedt “Virtuose”, conhecedor dos Instrumentos, das vozes e fantásticas e abençoadas dos inúmeros componentes, instrumentos que trouxeram o magnífico e indescritível presente de Natal para Erechim. “ Les Misérables “ mostrou a força hercúlea do coro da OSPA, e sobretudo a energia e sabedoria do maestro em colocar as vozes.
Não entendo bem de composição musical, mas o meu coração compreendeu o momento ímpar que vivíamos. Conheci o “Baba Yetu” e me maravilhei com o meu conhecido “Pie Jesu”.
Que presente!
Obrigada Unimed na pessoa do Dr. Alcides Mandelli Stumpf, obrigada Dr. Gilberto Schvartsmann, obrigada AEL e todos os demais apoiadores.
Que presente!!!