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Opinião

Reflexões de um escriba

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Por Henrique Trizoto -Coordenador do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font

Como de praxe, nesta época do ano o planejamento do próximo ciclo está a todo vapor: cronogramas de eventos, exposições, objetivos e metas são traçados a fim de nortear os trabalhos. Mas o mais complexo, não é o planejamento, mas sim, a retrospectiva do ano que vai se encerrando. Pensar a respeito do que não deu certo é custoso, afinal, no planejamento anterior tudo estava em perfeita harmonia.

Vou usar uma frase da minha orientadora para explicar o ano de 2023: “tua vida é um turbilhão”.

Erros, acertos, mudanças, entradas, partidas...

E não temos o Coudet ou o Alessandro Barcellos para culparmos. Estamos constantemente no olho do furacão.

Em vinte quatro horas, sou servidor público gestor de um espaço, aluno / bolsista, marido, padrinho, escriba, filho, genro, cunhado e amigo.

Ah, e como posso me esquecer, tenho que inserir uma tese aí nesse turbilhão...

Pensei em evocar algum autor modinha sobre gestão de tempo, mas sinceramente, não estou muito interessado no mantra “trabalhe enquanto os outros dormem”, até porque, eu já durmo pouco...

Byung Chul Han escreveu a obra “Sociedade do Cansaço” – que eu recomendo a leitura – na qual expõe a necessidade sistêmica de estarmos sempre atolados de trabalho. Se não formos produtivos vinte e quatro horas por dia, a concorrência vai nos solapar. O custo disso é a precarização do tal do “tempo de qualidade”. Ou seja, nos sentimos culpados por estarmos descansando enquanto os outros trabalham...

Não estou aqui defendendo a procrastinação ou que se fique a espera de um milagre.

Não sou a pessoa mais indicada para dizer isso, mas aí vai: é preciso equilibrar as coisas. E não, eu não tenho uma receita para fazer isso...

Estamos cada vez mais reféns da era da produtividade...

Trabalhamos pensando no amanhã, mas ignoramos as consequências de nossos atos a médio prazo: gastrite, ansiedade, burnout, compulsão alimentar, depressão e precarização das relações afetivas.

Volto a dizer, não sou a pessoa mais indicada para emitir este sermão repleto de clichês.

Mas, trago uma reflexão para fazermos neste finalzinho de 2023.

Se serviu o chapéu à algum amigo leitor, sinto lhe informar que estamos no mesmo barco.

Desejo que em 2024 o turbilhão vire uma marolinha...

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