As dificuldades para manter a casa (continuação)
Como mencionamos, a Casa do Caminho sofria com a escassez de recursos.
Além da utilização da mão-de-obra daqueles que se recuperavam de suas doenças e dos que podiam ajudar (órfãos, velhos, viúvas...) no preparo das hortas e das refeições, no atendimento aos demais necessitados, incentivou-se o aprendizado de ofícios dos que estavam disponíveis para conseguirem, com a venda, recursos para fazerem frente às demandas daqueles que para lá aportavam (alimentação, unguentos, ataduras, roupas...)
Outras providências foram decididas, por sugestão de Paulo e com a concordância dos demais.
Paulo e Barnabé (que já utilizaram de suas habilidades de tecelão e de oleiro) e quem mais pudesse, retornariam aos mesmos lugares onde estiveram pregando a Boa Nova; agora, solicitando auxílio para a Igreja de Jerusalém.
“Provaríamos nosso desinteresse pessoal – justificava Paulo – vivendo à custa de nosso esforço, e recolheríamos as dádivas por toda a parte, consciente de que, se temos trabalhado pelo Cristo, será justo também pedirmos por amor ao Cristo”.
Quanto aos demais, nunca foram pedintes. Trabalhavam, embora aceitassem as doações sem a perda da autonomia, e, com o trabalho incessante conseguiam sua autossuficiência.
Contudo, os ensinamentos de Jesus sofreram diversas transformações durante os séculos seguintes, motivados por interesses políticos e religiosos.
O sentido original da Casa do Caminho se transformou bruscamente, devido ao orgulho e ao egoísmo humano.
A Casa do Caminho e a Casa Espírita
A Casa Espírita de hoje é a Casa do Caminho de outrora.
A Doutrina Espírita como Cristianismo Redivivo, não possui dogmas, altares, rituais, classes sacerdotais e construções suntuosas.
Templos suntuosos não se coadunam com a Doutrina Espírita, que é uma Doutrina Cristã.
Nosso Mestre enviava sua mensagem geralmente ao ar livre, na praia, em cima de um monte ou dentro de uma canoa, como lembra Cavalcanti.
O crescimento que se almeja é o espiritual, não obstante de, por necessidade ter de se ampliar o espaço físico para melhor atender à demanda, preservando-se sempre a simplicidade e a funcionalidade, sem ornamentos e sem luxo, seguindo a simplicidade do templo íntimo de cada um.
Os Núcleos Espíritas, como nos assevera o Espírito Nora, na psicografia de Emanuel Cristiano, na obra Aconteceu na Casa Espírita (item XI), são “...como templos verdadeiros, onde Jesus deve estar representado não por imagens de barro, altares ornamentados ou estátuas de bronze, mas pelas atitudes essencialmente cristãs dos seus frequentadores”.
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